Zona do euro/Crise

Irlanda encerra quatro anos de austeridade e retoma investimento público em 2015

Os ministros das Finanças da Espanha e da Irlanda, Luis de Guindos e Michael Noonan (à direita), em junho passado, em Bruxelas.
Os ministros das Finanças da Espanha e da Irlanda, Luis de Guindos e Michael Noonan (à direita), em junho passado, em Bruxelas. REUTERS/Francois Lenoir

O governo da Irlanda apresentou nesta terça-feira (14) um orçamento para 2015 que marca o fim de quatro anos de austeridade no país. O projeto de lei orçamentário propõe redução de impostos e expansão dos gastos públicos, pondo fim a um ciclo de cortes draconianos nos investimentos.

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Fazia sete anos que o orçamento irlandês não propunha um aumento dos investimentos estatais. O ministro das Finanças também anunciou aos deputados que o projeto traz um aperto nas regras fiscais das empresas, para evitar que elas utilizem brechas do sistema para recolher menos que o devido. A Comissão Europeia investiga atualmente se a americana Apple, por exemplo, cometeu irregularidades fiscais em suas atividades na Irlanda.

Noonan estimou que em 2014 a Irlanda terá um crescimiento de 4,7% e de 3,6% em 2015. No ano que vem, o desemprego deve recuar dos atuais 10% da população.

"O caminho que percorremos até aqui foi difícil e os irlandeses fizeram muitos sacrifícios", admitiu Noonan. O ministro reconheceu que muitas famílias ainda não viram a luz no fim do túnel. "Para muita gente, a recuperação só virá quando eles encontrarem um emprego ou tiverem mais dinheiro na carteira", declarou.

Modelo de ajuste

A Irlanda foi um dos países que mais sofreram com a crise na zona do euro, ao lado de Grécia, Espanha e Portugal. Há quatro anos, o país estava à beira da falência. O governo foi obrigado a aceitar um pacote de 85 bilhões de euros do FMI e da União Europeia, em troca de medidas de rigor.

Os ajustes realizados pelo governo nas contas públicas, reduzindo benefícios sociais e despesas do Estado, hoje são aplaudidos e apontados pela Comissão Europeia como um exemplo a ser seguido no bloco, principalmente nos casos da França e Itália, que continuam acumulando forte déficit público. 

A recuperação da Irlanda é, no entanto, ameaçada pela estagnação global da economia na zona do euro. Hoje, a Alemanha, motor do bloco, reviu para baixo suas previsões de crescimento, que passam a ser de 1,2% em 2014 e 1,3% em 2015. Anteriormente, o governo alemão trabalhava com uma expectativa de expansão do PIB de 1,8% em 2014 e 2% em 2015.

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