Acessar o conteúdo principal
Economia

BID aponta como América Latina pode melhorar produtividade

Áudio 04:22
Investimentos em pesquisa e inovação devem ser prioridade, segundo o BID.
Investimentos em pesquisa e inovação devem ser prioridade, segundo o BID. Flickr/ Idaho National Laboratory
Por: Lúcia Müzell

Em um contexto de desaceleração econômica na América do Sul, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou nesta segunda-feira (20), em Paris, um estudo para ajudar os países a melhorar desenvolvimento produtivo. A instituição destaca que os países não precisam gastar mais em política industrial, mas sim devem gastar melhor.

Publicidade

Eduardo Fernandes Arias, analista sênior do Departamento de Pesquisas do BID, observou que a produtividade na região está bem abaixo do potencial, uma queda que se acentuou nos últimos 50 anos. Arias lembrou que, neste período, a Coreia do Sul planejou uma nova política industrial, com investimentos pesados em educação e pesquisa. As medidas transformaram a economia do país, que passou a contar com produtos sofisticados de alta de tecnologia.

Enquanto isso, os países latino-americanos continuam dependendo da exportação de matérias-primas. Ernesto Stein, co-autor do relatório “Repensando o Desenvolvimento Produtivo”, observa que os investimentos deveriam se concentrar em setores que promovam a inovação, e não em áreas onde o conhecimento já está estabelecido.

“O Brasil é um país que tem instituições fortes, como o BNDES e o Finep, que se encarrega de todos os temas de inovação. É um país onde as capacidades institucionais estão prontas para poder fazer boas políticas de desenvolvimento produtivo”, afirma.

Stein ressalta que os incentivos públicos para setores específicos da cadeia produtiva são boas ferramentas para o desenvolvimento, mas precisam contar com uma estrutura sólida para serem capazes de crescer – como um bom sistema de transportes para escoar a produção. O analista observa que os países latino-americanos estão gastando muitos recursos em política industrial, mas falta coordenação estratégica.

“Acho que se prestarem atenção nas recomendações que nós sugerimos no livro, podem racionalizar ao máximo o tipo de políticas que atualmente estão implementando”, sugere. Outro conselho é aumentar as parcerias público-privadas para suprir determinadas carências do Estado.

Em relação ao Brasil, o especialista cita dois casos emblemáticos: o da política para a indústria da computação, focada no mercado doméstico, e a da aeronáutica, que desde o princípio buscou competitividade no exterior. Enquanto o setor de informática tem pouca representatividade, a Embraer se tornou uma das maiores empresas de aviação do mundo.

Regulação

A política industrial do Brasil é um dos focos da campanha eleitoral para a presidência do país. Representantes da indústria demonstram insatisfação com a falta de investimentos e apontam que essa é uma das razões para o Brasil estar com um crescimento do PIB abaixo das expectativas.

O economista Carlos Winograd, professor da Paris School of Economics, participou do lançamento do estudo do BID em Paris. Para ele, um desafio ainda maior para o próximo governo no Brasil será melhorar a regulação em diversos setores da economia.

“Tem coisas para melhorar na macroeconomia do Brasil. A inflação está alta e o Banco Central, seja em um governo de Aécio Neves ou de Dilma Rousseff, será confrontado a esse problema. Mas do ponto de vista daquilo que impacta na política industrial, acho que o ponto central da agenda do Brasil são as questões de regulação”, observa. “Falta regulação em telecomunicações, infraestrutura, transportes, petróleo. Em portos e aeroportos, começaram algumas reformas, ainda insuficientes. A meu ver, essas questões são essenciais para deslanchar o crescimento do Brasil no futuro.”

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.