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Economia

Livros e drones estão entre presentes preferidos dos franceses no Natal

Áudio 05:49
As tradicionais Galerias Lafayette, em Paris.
As tradicionais Galerias Lafayette, em Paris. A. Notaras
Por: Lúcia Müzell

Apesar da crise persistente, os franceses jamais deixaram de reservar uma quantia considerável do orçamento para o Natal. Neste ano, a estimativa é de que cada francês gaste € 518 (R$ 1.680) nas comemorações da principal festa católica. Entre os presentes mais pedidos ao Papai Noel estão os tradicionais, como livro, e novidades tecnológicas, em especial os brinquedos conectados.

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Completam a lista roupas, tablets, celulares e brinquedos clássicos há muitas gerações, como Lego e Playmobil. Para as meninas, a coleção de bonecas Violetta é uma novidade que agradou neste Natal.

Mas segundo uma pesquisa realizada pela agência Deloitte, o bom e velho livro é o presente mais desejado pelos franceses, pela primeira vez em 17 anos. “Estamos vendendo bem mais livros do que no ano passado. Será que os pais querem trazer os filhos de volta para produtos mais tradicionais, em um momento em que eles estão cada vez mais diante das telas, em vez de verdadeiros livros? Não sei. O que eu sei é que estamos vendendo muitos livros”, constata Agnès Vigneron, diretora das Galerias Lafayette, um templo das compras em Paris.

No lado oposto, os produtos de tecnologia continuam em destaque entre os mais pedidos no Natal. E em 2014, os chamados brinquedos conectados chamam a atenção das crianças, como bonecos que interagem uns com os outros, os Dizzy Birds, ou a boneca Kyla, que canta e conta histórias. Os drones também se adaptaram ao público infantil.

“A venda de produtos com controle remoto, como drones, está funcionamento muito bem. Digamos que os pais encontraram o substituto do trem elétrico para brincar com os seus filhos”, analisa a diretora das Galerias Lafayette.

Presentes clássicos são garantia de agradar

Já os adultos gostam de presentear os próximos com roupas para o inverno: blusões, luvas e toucas são as peças mais vendidas. Os produtos de perfumaria e beleza também são uma escolha segura.

“Estamos vendendo um perfume a cada 30 segundos, neste momento. Todos os objetos um pouco personalizados, exclusivos, como gravar uma palavra no perfume, vendem bem”, destaca Pierre Pellarey, diretor-geral da Printemps Haussmann, outra das famosas lojas de departamentos de Paris. “O esmalte Louboutin em forma de salto agulha também está funcionando muito bem.”

Agnes Vigneron observa que, em geral, os franceses preferem não ousar na hora de escolher um presente de Natal. “A data permanece um momento de festa familiar, então o francês gosta de dar um presente que ele tem certeza de que vai agradar. As coisas que estão na moda demais ou são vistas como superficiais demais em geral não são a escolha para dar de Natal.”

Estrangeiros trazem alívio para receitas

As lojas devem se contentar com lucros baixos, já que a crise continua a afetar o poder aquisitivo dos franceses. Na Printemps, Pellarey percebe que os gastos dos clientes estrangeiros, principalmente chineses e árabes, compensam as limitações financeiras dos parisienses.

“Continuamos a sentir a crise neste ano, em especial na clientela local, que talvez segure mais nas compras. Nós temos a vantagem de poder contar com a clientela local e internacional, que aumentou bastante em dezembro, o que não é comum”, constata.

Brasileiros sumiram

Os dois diretores ressaltam que o número de turistas brasileiros caiu bastante em 2014 – eles saíram do ranking das 10 nacionalidades que mais compram. “Faz dois anos que há menos brasileiros. Com a forte desvalorização do real, sentimos uma verdadeira queda dessa clientela”, afirma Vigneron. “Temos bem menos. Não temos mais visto brasileiros”, diz Pellarey.

Apesar de permanecer elevado, o orçamento médio dos franceses para o Natal registrou queda de 3,8% em 2014.
 

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