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Turismo

Extrema-direita francesa critica venda de Club Med a chinês e brasileiro

O CEO francês do Club Med, Henri Giscard d'Estaing (2° à esquerda), e o chinês Qian Jiannong (esq.), presidente do grupo Fosun Turismo, em Paris, no dia 19 de dezembro de 2014.
O CEO francês do Club Med, Henri Giscard d'Estaing (2° à esquerda), e o chinês Qian Jiannong (esq.), presidente do grupo Fosun Turismo, em Paris, no dia 19 de dezembro de 2014. REUTERS/Charles Platiau
Texto por: RFI
3 min

A extrema-direita francesa criticou neste sábado (3) a venda do Club Med ao grupo chinês Fosun e seus sócios, incluindo o investidor brasileiro Nelson Tanure. O vice-presidente do partido Frente Nacional, Florian Philippot, braço direito da líder Marine Le Pen, condenou o governo francês por não ter feito nada para impedir que o Club Med fosse parar nas mãos de estrangeiros.

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A extrema-direita nacionalista e xenófoba não gostou de ver o Club Med mudar de proprietários. O vice-presidente do FN disse que a rede hoteleira é "um símbolo da história e do espírito francês". Em tom jocoso, Philippot acrescentou que o Club Med vai se tornar o "Club Mar da China" diante da indiferença do governo.

Lamentando que várias "empresas estratégicas" tenham passado para "dominação chinesa ou norte-americana" nos últimos meses, Philippot acusou o governo de François Hollande de ter permanecido "escandalosamente inativo, para não dizer [que foi] cúmplice" em "cada uma" dessas operações.

O baiano Neslon Tanure, especialista na compra de empresas em dificuldade financeira, pode ficar com uma participação de 10% ou mais no capital do Club Med quando a operação estiver totalmente concluída.

Meses de batalha comercial

Em sua edição datada de segunda-feira (5), o jornal Le Monde destaca que a conclusão do negócio acontece após vários meses de batalha comercial com outro comprador potencial, o empresário italiano Andrea Bonomi. Para comprar o Club Med, o consórcio liderado pelo bilionário chinês Guo Guangchang, 47 anos, e o brasileiro Tanure assinaram um cheque de 939 milhões de euros (cerca de 3,3 bilhões de reais). A valorização das ações na Bolsa de Valores de Paris chegou a 70% do valor incial. 

Segundo Le Monde, o empresário italiano jogou a toalha na sexta-feira depois de avaliar que o preço de venda do Club Med tinha atingido um valor "irracional". A rede hoteleira enfrenta problemas financeiros crônicos, tem dívidas e não distribui dividendos há 12 anos. Além disso, sofre com a crise na Europa e a redução da clientela francesa, que respondia por 40% da ocupação.

Le Monde lembra que, com a vitória do consórcio chinês, o Club Med continuará sob direção do francês Henri Giscard d'Estaing, filho mais velho do ex-presidente Valérie Giscard d'Estaing.

Futuro incerto

Segundo Le Monde, por mais paradoxal que pareça, não está claro quando o grupo chinês Fosun e o brasileiro Nelson Tanure vão recuperar seus investimentos.

O Club Med conta com estabelecimentos instalados em localidades paradisíacas. Os novos proprietários querem expandir a rede na China, de olho na classe emergente que descobre o prazer das férias. Mas os chineses também se tornaram a primeira clientela do turismo internacional, à frente de norte-americanos e alemães.

O bilionário Guo Guangchang garante que não tem pressa de recuperar seu investimento e evoca um provérbio chinês: "com tempo e paciência, a folha da amoreira se transforma num vestido de seda", cita Le Monde.

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