UE/ crise

Grécia deve apresentar novas propostas a credores nesta 4ª feira

O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos (centro), à espera da reunião do grupo da zona do euro em Bruxelas, Bélgica.
O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos (centro), à espera da reunião do grupo da zona do euro em Bruxelas, Bélgica. REUTERS/Yves Herman

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, falará nesta quarta-feira (8) ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), três dias depois de a Grécia rejeitar, por um referendo, um plano de reformas dos credores de Atenas (UE e FMI). Durante a reunião excepcional de ministros das Finanças da zona euro, nesta terça-feira (7), o país não apresentou medidas concretas em troca de um prolongamento da ajuda financeira.

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Após o encontro, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, indicou que um pedido formal da Grécia por mais empréstimos será “provavelmente” feito pelo governo grego “na quarta-feira”. Segundo ele, não houve uma carta formalizando um novo pedido de ajuda por parte de Atenas. "Nós a esperamos muito em breve e haverá uma nova reunião de ministros para estudá-la", acrescentou.

Os sócios da Grécia na zona do euro pediram que Atenas realize reformas concretas, sob a pena de ter de abandonar a moeda única. "A Grécia enfrenta desafios imensos e imediatos. Precisamos agora de uma estratégia clara e confiável sobre como a Grécia vai sair desta crise, mas se não for construída confiança, sem um pacote de reformas confiável, não pode ser descartada uma saída do euro", afirmou vice-presidente da Comissão Europeia encarregado da zona do euro, Valdis Dombrovskis, antes do início da reunião.

As opiniões estão divididas entre os 18 sócios de Atenas. Depois de meses de difíceis negociações com o governo grego de esquerda radical, que terminaram sem resultados, muitos países já não querem mais ajudar a Grécia, que recebeu resgates financeiros que chegaram a € 240 bilhões desde 2010. Entre os mais opostos à continuidade do auxílio, se encontram os países do leste europeu, que estão entre os mais pobres da zona do euro, e alguns dos que receberam ajuda financeira após a crise, como Portugal.

Pressão sobre Atenas

O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, avaliou que cabia à Grécia fazer propostas de reformas "concretas, completas e confiáveis", depois do resultado do referendo. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, se pronunciou no mesmo sentido, considerando que "tudo depende de uma decisão do governo grego", mas afirmou que "sem um programa, não há possibilidade de ajudar a Grécia no âmbito da zona do euro". O ministro finlandês Alexander Stubb ressaltou que a negociação, com benefícios e sacrifícios, faz parte da democracia. “Se damos empréstimos e assumimos compromissos, requeremos e pedimos condições", afirmou.

Ainda nesta noite, os chefes de Estado e de Governo dos países que adotam o euro se reúnem para debater uma solução para Atenas. O premiê grego, Alexis Tsipras, realiza um encontro privado com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, antes de os quatro se juntarem aos demais líderes.

Ao chegar em Bruxelas, Hollande declarou que “as decisões devem ser tomadas nesta semana”. Já Merkel destacou que, depois da expiração do segundo programa de ajuda financeira a Atenas e do “claro não” no referendo grego, “não há bases para negociações no programa do MEE [Mecanismo Europeu de Estabilidade]”.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, confirmou no Twitter que Tsipras vai discursar no Parlamento amanhã, a partir das 9h45 local (04h45 de Brasília).
 

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