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Economia

Com abertura do Irã, Brasil pode até triplicar exportações para o país

Áudio 04:31
Funcionários iranianos na frente da usina nuclear de Bushehr, que fica a cerca de 1.200 km ao sul de Teerã. Foto de 26 de outubro de 2010.
Funcionários iranianos na frente da usina nuclear de Bushehr, que fica a cerca de 1.200 km ao sul de Teerã. Foto de 26 de outubro de 2010. REUTERS/Mehr News Agency/Majid Asgaripour/Files FROM THE FILES P
Por: Lúcia Müzell
9 min

O acordo firmado entre seis potências mundiais e o Irã e a retirada progressiva das sanções econômicas aplicadas ao país vão fazer de Teerã um mercado atraente para investidores estrangeiros. O Brasil, que registra um comércio tímido com Teerã, tem potencial de até triplicar o volume anual de exportações, na avaliação de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

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A expectativa é de que as vendas, sobretudo de commodities, cheguem a US$ 5 bilhões. No ano passado, o país exportou US$ 1,4 bilhão para o Irã. Em 2011, o valor havia chegado a US$ 2,3 bilhões.

“Basta você ter um comércio livre que as oportunidades aparecem. Se considerarmos que o Irã tem uma população relativamente grande [77 milhões de pessoas] e com alto poder aquisitivo, a possibilidade é bastante real”, afirma.

Sufocado há quase 10 anos por sanções internacionais da ONU, dos Estados Unidos e da União Europeia, o Irã terá uma forte demanda em infraestruturas, em especial para a energia. Os setores automotivo e aeronáutico também estarão à espera de investidores – a frota do país precisa ser totalmente renovada. Mas na avaliação de Castro, o Brasil pode ampliar o seu espaço na venda de matérias-primas, como soja, milho e carne.

“Na parte de infraestruturas, infelizmente a gente não tem a possibilidade de concorrer. Mas na parte de commodities, a expectativa é que o Brasil tenha um grande crescimento nas exportações. Tradicionalmente, o fornecedor do Irã sempre foi os Estados Unidos”, sublinha. “Mas agora, ainda que tenha havido uma distensão entre os Estados Unidos e o Irã por conta do acordo nuclear, a perspectiva é que o Brasil ocupe o espaço que antes era dos americanos.”

Lento processo

A demanda por investimentos no Irã é avaliada em US$ 250 bilhões. O aumento dos negócios é esperado para começar no ano que vem, na medida em que a sanções forem levantadas. O país não tem acesso ao mercado financeiro internacional, o que dificulta ou impossibilita as transações. A confiança dos investidores virá com o tempo, na opinião de Djamshid Assadi, professor e pesquisador iraniano da Escola Superior de Comércio de Dijon.

“Estamos falando de investimentos pesados e, para isso, precisaremos de um clima mais favorável para os negócios no Irã e ter certeza de que as promessas que ouvimos no início não são passageiras e são, concretamente, válidas”, explica.

Assadi destaca que missões de alemães, austríacos e franceses ao país devem ocorrer nos próximos dias. Russos, chineses e indianos também já se preparam para ganhar mercados iranianos. Para Teerã, a demanda mais urgente é poder ampliar a exploração de petróleo e gás, que hoje é precária.

“O Irã tem reservas consideráveis: 10% das reservas de petróleo do mundo e 18% das de gás. Mas o país tem um grave atraso tecnológico para usufruir dessas riquezas”, observa. “Além de sequer ser capaz explorar várias delas, nas que ele consegue, a produtividade é muito baixa, por não ter uma tecnologia adequada.”

A entrada do Irã no setor petrolífero global resultaria em prejuízos indiretos para os principais atores do mercado, inclusive o Brasil. No entanto, Assadi avalia que o potencial iraniano é limitado. O país não deve se transformar em uma potência econômica regional, na opinião do pesquisador.

“Econômica, eu acho que não - pelo menos por enquanto. Nós temos outras potências que são mais dinâmicas economicamente, como o Catar, a Turquia e a Arábia Saudita, com o petróleo. Mas se tornar uma potência política, sim – e isso é até meio preocupante”, adverte.

José Augusto de Castro lembra que, por ter uma política externa neutra e, por vezes, até favorável ao Irã, Brasília poderá ter vantagens comerciais com o país. O ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, declarou que Teerã “passa a ser, agora mais ainda, um foco prioritário” da política comercial brasileira.
 

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