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Economia

Tendência é dólar permanecer alto em relação ao real

Áudio 04:15
Loja da Apple, uma das preferidas dos turistas estrangeiros no shopping Aventura Mall, em Miami.
Loja da Apple, uma das preferidas dos turistas estrangeiros no shopping Aventura Mall, em Miami. Flickr/Larry Miller
Por: Lúcia Müzell
8 min

Quem está com uma viagem marcada para o exterior acompanha com apreensão a alta do dólar e do euro em relação ao real. O movimento se acentuou em junho e não dá sinais de regressão. As incertezas na economia brasileira fazem com que a tendência de desvalorização da moeda brasileira permaneça a curto prazo – mas tudo pode mudar, se o governo conseguir reverter os indicadores.

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Os especialistas têm dificuldade em prever o que vem pela frente. O professor de macroeconomia da Universidade Mackenzie Pedro Vartanian acha improvável que as moedas americana e europeia recuem nas próximas semanas, já que as crises política e econômica só se aprofundam no Brasil.

“A tendência veio para ficar, pelo menos no curto prazo, principalmente diante do fato de que houve um aumento da desconfiança em relação à economia brasileira. Os investidores buscam mercados mais seguros e, consequentemente, há uma perda do valor do real em relação a outras moedas, como o dólar e o euro”, explica.

O anúncio de que o governo não vai cumprir a meta do superávit primário em 2015 gerou mais pressão sobre o câmbio. A mudança do objetivo sinaliza que o país não está conseguindo fazer o ajuste fiscal, em meio ao conflito crescente com o Congresso. Os parlamentares têm adotado medidas que geram ainda mais gastos para os cofres públicos, em vez de cortar as despesas.

“Isso impacta nas expectativas para o futuro, em relação aos gastos com a previdência, a folha de pagamentos, que só têm crescido com as medidas que o Congresso tem tomado”, lembra o professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) Flávio Fligenspan. “A consequência imediata disso é a possibilidade da perda do grau de investimento pelas agências de classificação de risco, que levaria à saída grande de dólares do país. Esse é o problema.”

Temor sobre o grau de investimento

A eventual perda do grau de investimento faria o dólar disparar facilmente acima de R$ 4. Fligenspan observa que, de qualquer maneira, a moeda americana estava artificialmente valorizada até o ano passado, e a correção monetária para em torno de R$ 3,2 já era esperada para este ano.

“Talvez ainda esteja em um momento de exagero. Quem comprar agora para entrar na onda pode acabar pagando caro. Mas não há certeza disso”, destaca o professor da UFRGS. “Conseguir fazer previsão de movimento de dólar ainda em momentos de instabilidade e turbulências é um exercício de cartomante. É muito difícil.”

Turismo no exterior

Os especialistas aconselham os turistas a permanecerem atentos à subida do dólar e do euro. Na opinião de Vartanian, o ideal seria adiar a viagem para o início de 2016, quando a volatilidade do câmbio deve estar menor.

“Mas quem não pode adiar a viagem, o ideal é já ter os gastos neste momento, em reais e evitar usar o cartão de crédito, que pode resultar em uma conta bem maior depois”, ressalta o professor da Mackenzie. “Se a viagem é nos próximo dois meses, você pode fracionar a compra de câmbio em três partes: uma parte agora, outra daqui a 30 dias e a última mais perto da viagem. Dessa forma, você tem um preço médio da moeda.”

Ação do Banco Central

Os dois especialistas divergem sobre a recente intervenção do Banco Central para conter a alta do dólar. Vartanian avalia que é o mercado que deveria estabilizar o câmbio. Mas Fligenspan considera que a atuação do BC foi correta, já que a valorização ainda maior do dólar geraria mais inflação e recessão.

 

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