2016 será o ano do desemprego nos países emergentes, diz OIT

Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho.
Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho. DOMINIQUE FAGET / AFP

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê um forte aumento do desemprego em 2016 e 2017, em particular nos países atingidos pela desaceleração chinesa e a queda dos preços das matérias-primas, como o Brasil. O relatório do órgão foi apresentado nesta terça-feira (19), em Genebra.

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"O número de desempregados em nível mundial aumentará em 2,3 milhões em 2016, e em 1,1 milhão em 2017. A maior parte desse crescimento acontecerá nas economias emergentes" e os principais afetados serão Brasil (+0,7 milhão de desocupados) e China (+0,8 milhão), afirma a OIT.

Em 2015, o desemprego mundial afetava 197,1 milhões de pessoas, "cerca de um milhão a mais do que no ano anterior, e 27 milhões a mais do que nos anos anteriores à crise de 2008", diz o relatório, que completa um dia marcado por más notícias econômicas. Pela manhã, o Fundo Monetário Internacional reviu para baixo as previsões de crescimento da economia mundial e do Brasil.

"O desemprego aumentou no ano passado e o que mais nos preocupa é que isso continuará acontecendo nesse ano e em 2017", disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, em coletiva de imprensa.

Piora nas condições de trabalho

Na América Latina, as projeções da OIT estimam um aumento do número de desempregados de 19,9 milhões em 2015 (6,5% da mão de obra ativa) a 21 milhões em 2016 (6,7%) e 21,2 milhões em 2017 (mesma porcentagem).

Esses dados encobrem contrastes, já que no Brasil o número de desempregados subirá de 7,7 milhões em 2015 (7,2%) para 8,4 milhões em 2016 (7,7%), estabilizando-se em 2017. No México, cairá de 2,5 milhões em 2015 (4,3%) para 2,4 milhões em 2016 (4,1%) e 2017. Na Argentina, o número de desocupados subirá neste ano de 1,3 milhão (6,7%) para 1,4 milhão (6,9%), mantendo-se inalterado em 2017, de acordo com as previsões da OIT.

A crise não só priva de emprego milhares de pessoas, como piora seriamente as condições de trabalho, atingindo as classes médias e aumentando a instabilidade social. "A clara desaceleração das economias emergentes, combinada com a forte queda dos preços das matérias-primas, tem um impacto considerável no mundo do trabalho", disse Ryder.

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