Economia

FMI pede que Brasil reforce as bases de sua economia

A diretora do Fundo Monetário Internacional Christine Lagarde.
A diretora do Fundo Monetário Internacional Christine Lagarde. REUTERS/Aly Song

Imerso em uma grave crise política e em um quadro recessivo, o Brasil enfrenta uma situação difícil e deve reforçar as bases de sua economia. Essa é a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta quinta-feira (17).

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"Claramente o Brasil está enfrentando uma situação difícil, e uma das saídas para o país agora é fortalecer sua economia", disse o porta-voz do FMI, Bill Murray, em uma coletiva de imprensa.

O Brasil encerrou 2015 com um recuo de 3,8% do PIB, seu pior desempenho em 25 anos. Para Murray, o Brasil "deve fortalecer o cenário macroeconômico que serviu muito bem no passado para recuperar a confiança e impulsionar os investimentos".

Entre as prioridades, o país deve considerar a política de metas de inflação, flexibilidade das taxas de câmbio e a responsabilidade fiscal. Os fundamentos fazem parte do chamado “tripé macroeconômico” que estabilizou a economia brasileira a partir do Plano Real e que foram relativamente abandonados a partir do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Murray assegurou que o Brasil, que recebeu vultosos empréstimos na década de 1990, por enquanto não pediu qualquer tipo de assistência financeira. O porta-voz afirmou que o FMI acompanha de perto a grave crise política que paralisa o país, acrescentando que a entidade tem como norma "não se envolver nos acontecimentos políticos" de seus Estados-membros.

Uso das reservas

Na segunda-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que o governo avalia usar as reservas internacionais para abater a dívida pública federal. O Partido dos Trabalhadores defende a ideia de sacar parte das reservas para estimular a atividade. As reservas internacionais hoje atingem US$ 370 bilhões e são consideradas um colchão de segurança em meio à rápida deterioração das contas públicas.

As reservas internacionais foram fortemente acumuladas pelo Banco Central, seu gestor, ao longo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e são apontadas como um dos poucos indicadores econômicos positivos do país. Elas são usadas para controlar a liquidez no mercado de câmbio.

Segundo especialistas consultados pela Agência Reuters, seria infrutífero usar reservas internacionais para enfrentar a crise econômica no Brasil. Eles indicam que o movimento acarretaria não apenas em aumento do descrédito no país como também teria consequências inflacionárias.

(Informações das agências AFP e Reuters)
 

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