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Renault planeja cortar 15.000 empregos no mundo e já enfrenta protestos na França

Linha de montagem do modelo Alpine da Renault, em Dieppe, na Normandia, agora ameaçado de fechamento.
Linha de montagem do modelo Alpine da Renault, em Dieppe, na Normandia, agora ameaçado de fechamento. CHARLY TRIBALLEAU / AFP
Texto por: RFI
2 min

A montadora francesa Renault planeja cortar cerca de 15.000 empregos em todo o mundo, dos quais 4.600 na França, como parte de um plano de economia de € 2 bilhões (cerca de US$ 2,2 bilhões) em três anos. O projeto, que será anunciado publicamente na sexta-feira (29), foi comunicado aos sindicatos com representação na empresa nesta quinta-feira (28). A japonesa Nissan, que forma uma aliança com a Renault e a Mitsubishi, também anunciou hoje o fechamento de uma de suas fábricas em Barcelona, na Espanha. 

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O plano da Renault prevê, em princípio, aposentadorias antecipadas, medidas de mobilidade interna ou reconversão dos empregados para outras áreas ou atividades profissionais. Segundo as fontes consultadas, o programa de bilhões de euros em economias será dividido em "um terço na produção, um terço na engenharia e um terço nas despesas estruturais, de marketing e distribuição".A fabricante francesa anunciou o objetivo de reduzir sua capacidade de produção global de 4 milhões de veículos para cerca de 3,3 milhões.

Na quarta-feira (27), a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi apresentou sua nova estratégia para os próximos anos. O plano privilegia a rentabilidade em detrimento do volume de carros vendidos. As três empresas querem reduzir em 40% os custos de fabricação de cada modelo, por meio de sinergias e fechamento de fábricas. As montadoras também pretendem se concentrar em seus mercados originais.  

Ao anunciar a nova estratégia, Jean-Dominique Sénard, presidente da aliança, citou um exemplo concreto de sinergias que o grupo quer buscar na fase pós-pandemia. "No Brasil, temos quatro plataformas para construir seis modelos de carros. No novo esquema, teremos uma unidade em comum, para fabricar sete modelos", disse Sénard. Em outras palavras, a Renault-Nissan-Mitsubishi também fechará fábricas no Brasil.

Reações

A expectativa das demissões em massa provocou reações. O prefeito de Dieppe, na Normandia, onde a Renault fabrica automóveis desde 1969, diz que o fechamento da unidade é algo "impensável". O prefeito comunista Nicolas Langlois lembra que, em 2017, a planta industrial foi modernizada e recebeu investimentos de € 35 milhões. Uma parte dos recursos foi obtida por meio de subsídios do Estado francês.

Agora, a unidade tem 400 empregos ameaçados. Uma petição online contra o fechamento da fábrica em Dieppe, onde a Renault fabrica o modelo Alpine, com final de produção já programado, recebeu nas últimas horas 5.200 assinaturas.

Nissan fecha fábrica em Barcelona

Na Espanha, o anúncio do fechamento de uma das três fábricas da Nissan em Barcelona ​​provocou reações do governo. "Lamentamos esta decisão da Nissan de deixar não apenas a Espanha, mas a Europa, um mercado de 700 milhões de consumidores, e concentrar suas atividades na Ásia", reagiu a ministra das Relações Exteriores, Arancha Gonzalez.

As três unidades da montadora empregam 3.000 funcionários e cerca de 20% serão demitidos. A atividade nas fábricas já estava paralisada desde o início do mês, quando os funcionários iniciaram uma greve exigindo um plano de investimentos para evitar as demissões.

Com informações da AFP

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