França anuncia € 15 bilhões para apoiar setor aeronáutico

Apresentação de Airbus A330 no Salão Aeronáutico do Bourget em 2019.
Apresentação de Airbus A330 no Salão Aeronáutico do Bourget em 2019. REUTERS/Benoit Tessier/Pool/File Photo

O governo francês vai destinar € 15 bilhões, cerca de US$ 16,9 bilhões, para apoiar o setor aeronáutico do país, assolado pela crise do coronavírus. O vasto plano foi revelado nesta terça-feira (9), mas seu montante inclui € 7 bilhões anunciados anteriormente para a Air France assim como € 1,5 bilhão para a transformação ecológica do setor.

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O plano foi anunciado pelo ministro da Economia francês, Bruno Le Maire. O setor aeronáutico é estratégico para o país. Ele representa quase 300.000 postos de trabalho diretos e indiretos e uma balança comercial positiva de € 34 bilhões (US$ 38,3 bilhões).

"Decretamos o estado de emergência para salvar nossa indústria aeronáutica e permitir que ela seja mais competitiva e mais livre da emissão de carbono, produzindo o avião verde do futuro", disse Le Maire. "A crise parou por completo o crescimento de quase 30 anos do setor que é um dos mais rentáveis do mundo", afirmou o ministro.

Uma das metas é o desenvolvimento sustentável, com € 1,5 bilhão de fundos públicos destinado a financiar pesquisas, nos próximos três anos, para construir "um avião neutro de carbono em 2035".

Aéreas em crise

O setor aeronáutico foi afetado em cheio pelo colapso do tráfego aéreo provocado pela pandemia do novo coronavírus. Em consequência, as companhias aéreas enfrentaram dificuldades financeiras e tiveram que cancelar ou adiar seus pedidos à fabricante Airbus.

Quase a metade do plano de apoio ao setor visa salvar a Air France. A empresa aérea francesa receberá € 7 bilhões em empréstimos que permitirão que ela concretize os pedidos de 60 aeronaves Airbus A220 e 38 A350. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) calcula que o prejuízo global das companhias aéreas será superior a US$ 84 bilhões em 2020 e de mais de US$ 15 bilhões em 2021.

Este é o terceiro plano anunciado pelo governo francês para relançar a economia. O setor do turismo receberá um apoio de € 18 bilhões e a indústria automobilística € 8 bilhões.

Economia francesa só se recupera em 2022

A economia da França vai demorar dois anos para se recuperar da pandemia. O Produto Interno Bruto (PIB) do país deve cair quase 10% neste ano e só vai atingir o mesmo nível que tinha antes da crise em meados de 2022, apontam estimativas publicadas nesta terça-feira pelo Banco da França.

Marcado por um mês e meio de confinamento total para evitar a propagação do novo coronavírus, o segundo trimestre do ano registrará um retrocesso de 15% do PIB, afirma a instituição, acrescentando que, para 2020, a previsão é de uma queda de 10%. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Insee), o PIB francês caiu 5,3% no primeiro trimestre.

"A economia francesa está se recuperando rapidamente da queda brutal sofrida em março, mas não saímos em absoluto do túnel", disse o presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, à rádio France Info. A retomada da atividade econômica no terceiro trimestre não será suficiente para evitar uma recessão recorde do país.

"Depois, 2021 e 2022 serão anos de recuperação progressiva", antecipa o Banco da França. A instituição calcula que o PIB voltará a crescer 7% em 2021, e 4%, em 2022.

(Com informações de agências)

 

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