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França denuncia provocação após pausa americana na negociação de imposto dos gigantes da internet

Logotipos dos GAFA's, como é conhecido o grupo das multinacionais americanas de tecnologia e serviços relacionados à Internet Google, Amazon, Facebook e Apple.
Logotipos dos GAFA's, como é conhecido o grupo das multinacionais americanas de tecnologia e serviços relacionados à Internet Google, Amazon, Facebook e Apple. AFP - LIONEL BONAVENTURE
Texto por: RFI
3 min

O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, afirmou nesta quinta-feira (18) esperar que a "pausa" dos Estados Unidos na negociação internacional de um imposto aos gigantes da internet não seja definitiva. O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, foi mais enfático e denunciou uma "provocação" por parte de Washington.

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O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (17), por carta a França, Itália, Espanha e Reino Unido, a suspensão de sua participação nas negociações no âmbito da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a criação da nova taxa. "Lamento muito a decisão dos Estados Unidos de frear as negociações internacionais sobre a tributação da economia digital", disse Gentiloni, antes de expressar o desejo de que este seja um "contratempo temporário e não uma pausa definitiva".

Em janeiro, 137 países concordaram que um acordo seria alcançado até o fim de 2020, com a mediação da OCDE, sobre a tributação digital de empresas como Google, Amazon ou Facebook. A ideia é que o imposto leve em consideração a atividade real das companhias em cada país. "A Comissão Europeia quer uma solução mundial sobre o imposto", reiterou Gentiloni. "Mas se isso for impossível neste ano, indicamos claramente que apresentaremos uma nova proposta em nível europeu."

Impasse nas negociações

De fato, as negociações sobre a taxação dos gigantes dos gigantes americanos da internet, motivo de discórdia frequente entre Washington e Paris, estão num impasse. O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, que denunciou uma "provocação" por parte dos Estados Unidos, disse que França, Reino Unido, Itália e Espanha informaram ao secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, também por carta, que pretendem obter uma tributação justa da tecnologia digital na OCDE o mais rápido possível. O ministro reafirmou que a França irá aplicar um imposto ao chamado Gafa (sigla para Google, Amazon, Facebook e Apple) em 2020, caso fracassem as negociações na OCDE.

Oficialmente, o secretário americano do Tesouro pediu uma pausa "nesse momento em que os governos do mundo inteiro se concentram em enfrentar a pandemia da Covid-19 e sobre a reabertura, com segurança, de suas atividades econômicas". A carta, que os Estados Unidos exigiram que fosse confidencial, apontava a possibilidade de "retomar as discussões mais tarde" e expressava o desejo que um acordo mundial fosse encontrado antes de 31 de dezembro, explicou à AFP uma fonte que preferiu não ser identificada.

Bruno Le Maire interpretou o texto como uma vontade de "não continuar" as negociações. "Estávamos a um passo de concluir um acordo sobre a tributação dos Gafa, que são talvez as únicas empresas do mundo que tiveram imensos lucros nessa crise do coronavírus", lamentou o ministro francês em entrevista à radio France Inter. Ele também denunciou a prática de Washington de tratar seus aliados com "ameaças sistemáticas de sanções".

 

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