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Em decadência desde a crise financeira, bancos para clientes negros voltam a ganhar visibilidade nos EUA

Camiseta pendurada com uma mensagem sobre a compra nos negócios negros em uma barraca no "Black Joy as Resistance! Juneteenth Celebration", no distrito de Farish Street, em Jackson, Mississippi, sexta-feira, 19 de junho de 2020.
Camiseta pendurada com uma mensagem sobre a compra nos negócios negros em uma barraca no "Black Joy as Resistance! Juneteenth Celebration", no distrito de Farish Street, em Jackson, Mississippi, sexta-feira, 19 de junho de 2020. AP - Rogelio V. Solis
Texto por: RFI
3 min

Os “black banks”, bancos para clientes negros nos Estados Unidos, que estavam em vias de desaparição após a crise financeira de 2008, voltam a ganhar interesse em meio a mobilizações antirracismo.  

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No dia da emancipação dos escravos, celebrado nos Estados Unidos na sexta-feira (19), os valores das ações de bancos voltados para a clientela negra, como Broadway Financial, com sede em Los Angeles, e Carver Bank, de Nova York, registraram alta expressiva, acima dos limites autorizados pela Nasdaq. Os valores correspondem à mobilização lançada nas redes sociais pelo movimento Black Lives Matter “buyblack”, para comprar produtos voltados à comunidade negra.

Mas para analistas, a cotação das ações deve voltar a cair nos próximos dias. O Carver Bank, uma das mais tradicionais instituições do gênero nos Estados Unidos, criado no Harlem nos anos 1940, viu o valor de suas ações passar de 2 a 12 dólares. Mas depois do frenesi inicial, baixou para 8 dólares. O banco tem performances financeiras medíocres e sofre uma forte erosão do número de clientes desde 2016.

Os mais críticos, acreditam que essa alta espetacular é resultado de uma manipulação do mercado e que não trará lucro para as empresas ou seus clientes, mas para traders, que são na maioria brancos e cujo trabalho é ganhar dinheiro com os movimentos da Bolsa de Valores.

Visibilidade

Mas a operação deu visibilidade para as instituições que vinham perdendo terreno desde a crise financeira de 2008, com o fechamento de dois bancos por ano na última década. Com US$ 5,5 milhões em ações, os “black banks” representam uma parcela muito pequena do mercado bancário americano.

O primeiro banco para negros surgiu nos Estados Unidos em 1888, em um momento em que este tipo de serviço era impensável. Atualmente consideradas pouco inovadoras, as agências ficam normalmente em bairros desfavorecidos, e não oferecem produtos atraentes para a classe média. Após a lei anti-segregação de 1970, os "black banks" começaram a perder terreno para outros bancos.     

Mas apesar de serem poucos, aproximadamente 20 em todo território americano, os bancos desempenham um papel importante dando acesso ao crédito a pessoas negras. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 em 60 cidades grandes americanas, os pedidos de empréstimos de clientes negros são mais recusados que os dos brancos.

Os que querem montar uma empresa têm duas vezes mais respostas negativas que os brancos, de acordo com informações do Federal Reserve, o banco central americano. Este fato pode ser explicado em parte pelo nível de pobreza das pessoas negras, que têm mais dificuldade de reunir as condições de solvência exigidas pelos bancos e têm duas vezes mais recusas que os brancos.

Os grandes estabelecimentos bancários americanos já tiveram que pagar milhões de dólares a clientes negros por queixas de discriminação racial.

 

 

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