Suécia registra taxa de desemprego mais alta das últimas duas décadas

Na contramão dos vizinhos, a Suécia evitou o isolamento generalizado da população no auge da pandemia. Mesmo assim, a Covid-19 teve um impacto em sua economia.
Na contramão dos vizinhos, a Suécia evitou o isolamento generalizado da população no auge da pandemia. Mesmo assim, a Covid-19 teve um impacto em sua economia. via REUTERS - TT NEWS AGENCY

A taxa de desemprego na Suécia registrou uma alta recorde no mês de junho, chegando a níveis que não eram atingidos desde 1998. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Instituto sueco de estatísticas (SCB), o número de desempregados no país se aproxima dos 10%. A pandemia de Covid-19 é apontada como uma das principais causas desse balanço.

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De acordo com o SCB, o desemprego, que em janeiro era de 7,2%, atingiu em junho 9,4% dos suecos entre 16 e 64 anos, com um aumento flagrante entre os jovens. Na população entre 16 e 24 anos, o índice chega a 28%, contra 20,4% registrados em janeiro.

No final de junho, o país de pouco mais de 10 milhões de habitantes contava com 557 mil pessoas oficialmente sem emprego, o que representa 150 mil a mais que no ano anterior. O recorde absoluto de desemprego na Suécia data de 1997, quando 11,7% da população não tinha trabalho em razão da forte crise econômica que afetou o país na década de 1990.

Segundo Daniel Samuelsson, especialista do assunto no SCB, "a alta generalizada do desemprego se deve principalmente às pessoas cujos contratos temporários não foram prolongados” no primeiro semestre. Já no caso dos jovens, ele culpa a pandemia de Covid-19, que fez com os que os empregos sazonais, habituais nessa época do ano (verão no hemisfério norte) diminuíssem drasticamente.

Desde abril o governo sueco já havia anunciado um aumento no valor do seguro desemprego. Outra medida prevista por Estocolmo no ápice da pandemia foi a diminuição do tempo de contribuição necessário para ter acesso ao benefício, que passa de 12 para apenas 3 meses.

Vizinhos escandinavos também sofrem

A Suécia, citada algumas vezes pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, como exemplo de gestão da pandemia de Covid-19 a ser seguido, foi criticada pela comunidade internacional por ter adotado uma estratégia na contramão dos vizinhos. O país evitou o confinamento generalizado e apostou na chamada "imunização de rebanho", que consiste em deixar o vírus correr livremente até atingir – e, em seguida, imunizar – a maioria da população. Mas, rapidamente a Suécia se tornou o segundo país europeu com maior número de casos por habitantes e o governo local foi obrigado a admitir que estava no caminho errado.

No entanto, os vizinhos escandinavos também sofrem com a falta de trabalho entre as consequências da Covid-19. Na Dinamarca, onde o balanço de vítimas da pandemia foi menor que o sueco, a taxa oficial de desemprego alcançou em maio, data da última estatística disponível, o nível mais alto desde 2012. Porém, o índice passou de 3,7% registrado em fevereiro para apenas 5,6%. Já a Noruega passou de 3,8% de desempregados em fevereiro a 4,9 em junho.

A Suécia, principal economia escandinava, prevê uma queda de 6% em seu PIB este ano. Na Noruega a baixa esperada é de 3,5% e na Dinamarca, 4,1%.

 

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