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Vale pode fechar fábrica de níquel na Nova Caledônia, após desistência de comprador australiano

Refinaria de níquel da Vale na Nova Caledônia.
Refinaria de níquel da Vale na Nova Caledônia. © Vale
Texto por: RFI
3 min

A gigante mineradora brasileira Vale pode fechar sua fábrica de níquel na Nova Caledônia ainda este ano, se não encontrar um novo comprador. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8) pela administração da empresa no arquipélago francês do Pacífico, após a desistência de um grupo australiano de comprar o negócio.

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"A Vale dará início agora às etapas necessárias para a manutenção e a conservação [da refinaria], visando a uma possível interrupção das operações, caso não seja encontrada uma solução duradoura nos próximos meses", afirmou a Vale-NC em uma nota.

Essa planta metalúrgica de níquel na Nova Caledônia, território francês, é uma das principais empregadoras da região. Ela tem 1.280 funcionários e dá empregos a entre 1.400 e 1.600 terceirizados. Embora não tenha competência para intervir em assuntos econômicos na Nova Caledônia, o governo francês "está observando a situação com atenção e apoiará as partes interessadas a encontrarem soluções duradouras" para a empresa, declarou o ministério francês do Ultramar nesta terça-feira.

Fracasso nas negociações

O grupo australiano New Century Resources (NCR), que estava em negociação exclusiva com a Vale para a compra da refinaria, anunciou hoje sua decisão de não dar continuidade às discussões. A Vale havia indicado em dezembro de 2019 a intenção de vender sua participação (95%) no complexo industrial, localizado no sul do arquipélago, junto ao importante campo de Goro.

Antonin Beurrier, presidente da Vale-NC, informou que as negociações financeiras fracassaram após a desistência da um fundo de investimento que deveria dar US$ 75 milhões para a conclusão da aquisição. Ele também culpou o “contexto global pouco favorável” e "uma verdadeira campanha de desestabilização orquestrada por partidos externos".

O presidente da Vale-NC faz referência à oposição feroz ao projeto do NCR australiano dos separatistas da Nova Caledônia, chefias Kanak tradicionais e vários sindicatos e associações. O coletivo "Fábrica do sul: fábrica país" denuncia "uma venda do patrimônio mineral e uma transação no mercado de ações". Os opositores convocam uma nova manifestação na quarta-feira (9) e defendem uma oferta concorrente de um consórcio da Nova Caledônia e sul-coreano, que não foi selecionado pela Vale.

Refinaria deficitária

A mineradora brasileira diz que a refinaria de níquel necessita investimentos pesados e é altamente deficitária. Mas o dirigente da Vale-NC acredita que a fábrica poderia ser rentável a partir de 2021, graças à ampliação do mercado de baterias para carros elétricos.
           
A unidade hidrometalúrgica da Vale de Goro começou a produzir em 2013. Mas, em 2019, produziu apenas 25.000 toneladas de níquel, longe da meta de 40.000 toneladas, segundo dados transmitidos pela empresa no ano passado. As discussões para a sua venda estão sendo influenciadas pelo debate em torno do segundo referendo sobre a independência da Nova Caledônia, previsto para o próximo 4 de outubro.

 

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