Economia mundial se recupera mais rápido do que o esperado de crise do coronavírus, diz OCDE

Usando máscaras, indianos fazem fila para entrar no metrô de Nova Delhi; a Índia tornou-se o segundo país do mundo com o maior número de contaminados pelo coronavírus.
Usando máscaras, indianos fazem fila para entrar no metrô de Nova Delhi; a Índia tornou-se o segundo país do mundo com o maior número de contaminados pelo coronavírus. REUTERS - ANUSHREE FADNAVIS

A economia mundial dá sinais de recuperação mais rapidamente do que o previsto, diante do choque provocado pelo novo coronavírus, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Um documento publicado nesta quarta-feira (16) pela OCDE aponta que o dinamismo da retomada econômica nos Estados Unidos e na China proporciona essa melhora inesperada.

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Apesar disso, a economia mundial poderá sofrer uma recessão de 4,5% neste ano, um recuo sem precedentes na história recente. Essa contração seria, entretanto, menos acentuada do que a queda de 6% prevista em junho pela organização.

Se a pandemia não sair completamente de controle, a economia mundial deve retomar o crescimento em 2021 a um ritmo de 5%, de acordo com a OCDE, um nível inferior à progressão de 5,2% esperada em junho. Um endurecimento das medidas para conter a expansão do coronavírus, como um novo confinamento, poderia acrescentar 2 ou 3 pontos percentuais às previsões de recessão para o próximo ano, advertiu a organização.

A OCDE destaca que essas previsões são feitas com base em cenários de restrições locais para controlar focos epidêmicos, em lugar de confinamentos nacionais. A organização também supõe que nenhuma vacina estará disponível em larga escala até o segundo semestre de 2021.

De acordo com o documento, as medidas orçamentárias dos governos e as iniciativas de política monetária dos Bancos Centrais para apoiar famílias e empresas contribuíram para evitar uma recessão mais profunda e deveriam continuar a ser aplicadas.

Disparidades

A melhora global das previsões da OCDE esconde, no entanto, importantes desigualdades entre grandes economias, como Estados Unidos, China e zona do euro, que resistiram melhor do que o previsto, e países emergentes, como Índia, México e África do Sul, que tiveram mais dificuldade para controlar a epidemia.

A China, onde a pandemia surgiu e foi controlada mais cedo, deve ser o único país do G20 a ter um crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) neste ano (+1,8%), enquanto a OCDE previa uma contração de 2,6% em junho.

Os Estados Unidos também devem ter um desempenho melhor do que o previsto, com uma contração do PIB limitada a 3,8%, em vez de 7,3%. Para a França, a organização prevê uma recessão de 9,5% em 2020, 1,9 ponto mais forte do que a previsão de junho, antes de ter um crescimento de 5,8% em 2021.

A previsão para o Brasil também é favorável. A OCDE indica que o PIB brasileiro deve encolher em 6,5%, contra os 7,4% ou 9,1% previstos em junho. Já a economia brasileira deve crescer 3,6% em 2021.

 

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