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Economia

Alta dos contágios na Europa leva empresas a buscar soluções para escritórios desocupados

Áudio 05:18
Para empresas menores, coworking é uma da das opções para quem está em home office.
Para empresas menores, coworking é uma da das opções para quem está em home office. AFP - JEFF PACHOUD
Por: Lúcia Müzell
11 min

O retorno da alta de contágios por coronavírus nas últimas semanas na Europa obrigou as empresas a reverem seus planos. A “volta ao normal” no ambiente de trabalho, desejada para setembro, teve de ser adiada em países como a França, onde as grandes metrópoles se encontram em uma situação preocupante e imprevisível da pandemia.

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Neste contexto de incertezas, o que fazer com os milhares de escritórios às moscas, enquanto a equipe foi parcialmente demitida ou segue em home office por tempo indeterminado? Uma estimativa da consultoria Cushman & Wakefield avaliou que a demanda de escritórios na região parisiense deve cair de 20% em 2020, num cenário mais otimista, a até 45%, numa perspectiva de retorno da quarentena.

"As empresas estão se questionando qual será o impacto da pandemia na economia em geral, mas também na atividade delas no dia de amanhã. Estão avaliando quantos funcionários vão precisar, como vão se organizar e o que a crise muda no caso delas”, afirma Ludovic Delaisse, diretor-geral do escritório na França.

Para combater a epidemia, o governo francês incentiva as empresas a continuar operando o máximo possível em home office. As consultorias especializadas indicam que a maior parte dos setores está determinada a integrar o trabalho a distância a longo prazo, mas não visualizam um cenário no qual 100% das tarefas serão realizadas desta forma. A avaliação é de que os encontros presenciais são essenciais para a socialização, a inovação e o desenvolvimento de uma companhia.

O quebra-cabeça, portanto, é encontrar uma solução viável para a pouca frequência presencial no local de trabalho – que, quando acontece, ainda precisa respeitar as normas sanitárias como distanciamento de pelo menos 1 metro entre os empregados e uso obrigatório de máscaras.

Reduzir postos físicos de trabalho

Na start up francesa FairJungle, os 10 colaboradores agora trabalham um dia por semana em casa. Desta forma, a empresa se liberou do aluguel de dois postos de trabalho na cortejada Station F, o maior polo de empresas de tecnologia da Europa, em Paris, onde está incubada.

"Já temos uma parte da equipe que trabalha remotamente de Lyon, Nantes e Rennes. Ou seja, já estamos acostumados a um modelo híbrido e poderíamos passar a mais dias de home office, se necessário”, explica o cofundador e CEO Saad Berrada. "A partir do momento em que há uma organização bem definida de tarefas, o sistema funciona, como pudemos ver durante a quarentena. Mas a parte presencial é importante por uma questão de cultura empresarial, de coesão da equipe e para mantermos um bom clima”, avalia.

Saad Berrada integrou o trabalho remoto na estrutura da FairJungle, em Paris, e não pretende ter escritórios imensos nem quando a empresa se desenvolver.
Saad Berrada integrou o trabalho remoto na estrutura da FairJungle, em Paris, e não pretende ter escritórios imensos nem quando a empresa se desenvolver. © Divulgação/ FairJungle

Na França, a fórmula mais comum tem oscilado entre um a três dias de trabalho à distância por semana – o que representa um corte potencial de até 40% da superfície utilizada por uma empresa. Em cidades como Paris, essa área significa verdadeiras fortunas: um relatório da Deloitte, publicado em setembro, mostrou que um posto de trabalho custa de € 5 mil a € 18 mil por ano na capital francesa, dependendo do tamanho e da localização.

Compartilhamento entre empresas

Para aqueles que não querem simplesmente entregar os escritórios, três alternativas se desenvolveram na pandemia: o coworking, o flex office e sublocação. O primeiro, antigo conhecido dos trabalhadores autônomos, ganha força ao acolher reuniões pontuais de uma equipe. Também pode se expandir para uma versão corpoworking, quando uma empresa contrata um espaço temporário para trabalhar, num ritmo reduzido.

Já o flex office é uma versão enxuta do escritório, com menos postos e na qual os empregados não têm mais uma mesa fixa e ocupam o espaço de maneira rotativa, como no caso da FairJungle. Essa opção permite cortar custos fixos de aluguel e despesas do escritório, como luz e equipamentos.

“Quando passarmos para a próxima fase de crescimento, com 20 a 30 funcionários, a ideia é continuarmos num modelo flexível, no qual teremos um local para nos encontrarmos”, pontua Berrada. "Certamente, não teremos 40 postos de trabalho. Teremos bem menos, o suficiente para abrigar as pessoas que gostam de trabalhar mais junto do que em modo remoto.”

Outra alternativa ainda é a sublocação, que aparece como uma solução de mão dupla: as grandes empresas – que, com frequência, são proprietárias do imóvel ou estão presas a longos contratos de aluguel – disponibilizam áreas agora vazias ou pouco ocupadas nas suas sedes para empresas menores, que precisam de um lugar mais em conta para seguir em frente.

Rígidas normas sanitárias e menor ocupação faz empresas questionarem se mantêm ou não o escritório.
Rígidas normas sanitárias e menor ocupação faz empresas questionarem se mantêm ou não o escritório. AFP - PHILIPPE LOPEZ

Desafio para a arquitetura

A discussão também se estende à arquitetura, em busca de soluções para os espaços de trabalho na era Covid. Os open space e as imensas torres comerciais, por onde dezenas de milhares de pessoas circulam todos os dias e se espremem em elevadores, estão na linha de mira.

Da mesma forma, a experiência da quarentena aumenta a preocupação com a saúde e o bem-estar no trabalho – mais do que nunca, os funcionários almejam se sentir “como em casa” no ambiente profissional.

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