Pandemia provoca perdas de € 7,1 bi na Air France-KLM e de € 1,1 bi na Airbus em 2020

A companhia aérea Air France-KLM anunciou nesta quinta-feira (18) um prejuízo de € 7,1 bilhões (US$ 8,5 bilhões ou R$ 46 bilhões) em 2020.
A companhia aérea Air France-KLM anunciou nesta quinta-feira (18) um prejuízo de € 7,1 bilhões (US$ 8,5 bilhões ou R$ 46 bilhões) em 2020. Patrick T. Fallon AFP/Archivos
Texto por: RFI
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4 min

O choque sem precedentes no setor aéreo provocado pela pandemia de Covid-19 se confirma. A companhia aérea Air France-KLM anunciou nesta quinta-feira (18) um prejuízo de € 7,1 bilhões (R$ 46 bilhões) em 2020. A fabricante europeia de aviões Airbus conseguiu limitar suas perdas a € 1,1 bilhão (R$ 7,1 bilhões).

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A pandemia privou a Air France-KLM de dois terços de seus passageiros no ano passado. Com isso, o volume de negócios caiu 59% em relação a 2019, situando-se em € 11,1 bilhões de euros, detalhou o grupo franco-holandês em um comunicado.

A companhia aérea também sofreu um prejuízo de quase € 600 milhões devido às compras antecipadas de querosene, uma transação comum para planejamento de custos, mas que se mostrou uma aposta contraprodutiva no momento em que os preços do petróleo despencavam.

Os governos francês e holandês injetaram mais de € 10 bilhões para ajudar as duas companhias a superar as dificuldades. Com 83.000 funcionários no final de 2019, a força de trabalho encolheu em mais de 10% em um ano: 5.000 a menos na KLM e 3.600 na Air France.

O grupo franco-holandês acredita que o primeiro trimestre de 2021 ainda será "difícil" e que a perspectiva de uma reativação continua sendo "limitada". A empresa espera, porém, que o tráfego aéreo seja retomado progressivamente no segundo e terceiro trimestre deste ano, graças às vacinas contra o coronavírus.

Airbus

A fabricante europeia de aviões registrou um recuo de 29% no volume de negócios, que ficou em € 49,9 bilhões. Apesar do prejuízo líquido de € 1,1 bilhão em 2020, o resultado mostra que a Airbus limitou as perdas diante do colapso do setor aéreo provocado pela epidemia do coronavírus, avalia a direção. "Os resultados mostram a resistência da Airbus durante a crise mais dura vivida até hoje pela indústria aeroespacial", afirmou o CEO do grupo, Guillaume Faury.

No ano passado, o grupo entregou 566 aeronaves, um terço a menos que em 2019. Em um sinal de que a Airbus não espera uma recuperação imediata do mercado, as previsões para 2021 indicam a "entrega do mesmo número de aviões comerciais que em 2020". "Grandes incertezas persistem em nossa indústria em 2021, porque a pandemia continua afetando nossas vidas e nossas sociedades", explicou Faury.

Em junho, a Airbus anunciou o corte de 15.000 de seus 134.000 funcionários, incluindo 5.000 na França e 5.100 na Alemanha.

Melhor que a Boeing

A situação da Airbus é melhor do que a da Boeing, sua principal concorrente, que registrou prejuízo de US$ 11,9 bilhões em 2020. Além da pandemia, a empresa americana também foi afetada pelos problemas com seu modelo 737 MAX e os atrasos na entrega dos primeiros 777X para o fim de 2023.

O prejuízo líquido da Airbus foi levemente inferior ao do ano anterior, marcado por uma multa de € 3,6 bilhões por um escândalo de corrupção.

Após o anúncio dos resultados das Air France-KLM e da Airbus, as ações dos dois grupos estão em queda na Bolsa de Paris. A fabricante europeia perdia 3,07% e a companhia aérea franco-holandesa 0,93%.

(Com informações da AFP e Reuters)

 

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