Por que a queda da taxa de natalidade na era Covid ameaça a economia

Um pai e uma mãe cuidam de seu bebê recém-nascido na maternidade do Hospital des Diaconesses em Paris, 17 de novembro de 2020.
Um pai e uma mãe cuidam de seu bebê recém-nascido na maternidade do Hospital des Diaconesses em Paris, 17 de novembro de 2020. AFP - MARTIN BUREAU

Há cerca de um ano, a OMS declarou o estado de pandemia. Esta grande crise de saúde continua a ter múltiplas implicações na vida da população. Por exemplo, ela vem reduzindo a taxa de natalidade nos países mais afetados pelo coronavírus. Do ponto de vista econômico, menos bebês hoje significa uma preocupação para a economia amanhã. Entenda o porquê.

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Por Dominique Baillard

O anúncio da pandemia desencadeou uma pequena quebra do mercado de ações. Há uma queda da taxa de natalidade, mas foi apenas nove meses após o início oficial do surto que começamos a medir a dimensão exata do fenômeno.

Na Itália, um dos países europeus mais afetados pela Covid-19, o número de nascimentos caiu mais de 20% em dezembro de 2020 em relação ao ano anterior. A queda foi da mesma ordem no mês de janeiro.

A Espanha, outro país gravemente afetado, mostra queda ainda maior, de 23% em dezembro, enquanto na França o índice foi de -13%. No Havaí, a queda da natalidade é impressionante, com 30% menos nascimentos.

O fenômeno também é perceptível na China: 1.800.000 bebês a menos que no ano anterior, ou seja, uma queda nos nascimentos da ordem de 12%.

O confinamento não impulsionou a natalidade, ao contrário das especulações de pseudo-especialistas. Todos gostamos de dizer uns aos outros, em clima de piada, que tempestades ou quedas de energia causam baby booms.

Mas tudo não passa de uma lenda urbana, que não funciona para os casais quando há cortes de energia ou durante o confinamento. A ansiedade em relação ao futuro, tanto econômico quanto de saúde, desestimula os planos para gerar crianças.

A gripe espanhola em 1918 ou a crise financeira de 2008 tiveram efeitos semelhantes. Mas no caso da Covid-19, ninguém esperava tal impacto.

O desemprego tem papel decisivo nessa queda da natalidade

"Um ponto a mais de desemprego significa um ponto a menos na taxa de natalidade", observaram dois economistas norte-americanos que combinaram dados demográficos e do mercado de trabalho.

O desemprego é, portanto, um fator importante em uma situação de crise. Nos Estados Unidos, os números definitivos da população ainda não estão disponíveis, mas esses pesquisadores já esperam uma queda drástica nos nascimentos.

O fato dos empregos femininos em serviços pessoais e alimentação serem os mais afetados pelas medidas de confinamento agravou a insegurança econômica das mulheres, que preferiram adiar o plano de maternidade. Algumas também tiveram que abandonar seus empregos para cuidar de seus filhos ou parentes.

Já temos uma ideia das consequências desta queda da natalidade?

Ainda não está claro qual será a extensão e a duração exata dessa "falta de bebês", que faz parte de um movimento geral de declínio da fertilidade no Ocidente. A única certeza é que as consequências serão irreversíveis. De acordo com o banco HSBC, a quantidade de crianças que não nasceram pode ter um impacto econômico muito maior do que o número de mortes causadas pela Covid-19.

Os fabricantes de leite infantil ou fraldas foram os primeiros a sentir os efeitos negativos. Eles já estão reorientando sua produção. No nível macroeconômico, certamente haverá repercussões de longo prazo, mais ou menos dolorosas. No mercado de trabalho, nos sistemas de pensões, na imigração.

E também sobre a evolução das taxas de juros. A diminuição da fertilidade desempenha um papel fundamental em seu declínio. A correlação foi detectada tanto nos Estados Unidos quanto no Japão. 

Tensão sobre a retenção da vacina aumenta entre Londres e Bruxelas

A Europa, acusada de bloquear as exportações, publicou dados que falam em sua defesa: desde 1º de fevereiro de 2021, pelo menos 34 milhões de doses foram exportadas para fora da União, das quais 9 milhões para o Reino Unido.

Um país que, por outro lado, mantém toda a sua produção para cobrir as suas necessidades, acusa o belga Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, o que Boris Johnson nega.

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