Países asiáticos e africanos se recuperam mais rápido da pandemia que Brasil e UE

O Vietnã iniciou sua campanha de vacinação no dia 8 de março passado. Até hoje, o país asiático teve apenas 2.576 casos registrados de Covid-19 e 35 mortes.
O Vietnã iniciou sua campanha de vacinação no dia 8 de março passado. Até hoje, o país asiático teve apenas 2.576 casos registrados de Covid-19 e 35 mortes. REUTERS - THANH HUE

A retomada econômica pós-pandemia já é marcada por fortes desigualdades, segundo um estudo da seguradora francesa Coface, especializada em operações de comércio exterior. Enquanto o Brasil e a União Europeia lutam para conter o elevado número de contaminações, países de forte especialização setorial que conseguiram evitar uma explosão da epidemia já se destacam pela alta das exportações.

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O jornal francês Les Echos mostra nesta quinta-feira (25) o admirável crescimento das exportações do setor de eletrônicos em Taiwan, no Vietnã e na Coreia do Sul. Apenas em Taiwan, as vendas para o exterior nesse segmento cresceram 48% em 12 meses. A seguradora Coface prevê que os 15 países que mais irão se beneficiar da retomada econômica em 2021 estão na Ásia e na África. Bangladesh, Egito, Costa do Marfim e Uzbequistão fazem parte dessa lista. China e Estados Unidos também devem recuperar até o fim do ano os níveis de crescimento do período anterior à crise, ou seja, de 2019. 

"Apesar de contribuir para a saída de crise, a vacinação não parece ser um fator determinante" para a melhora do desempenho econômico, nota o Les Echos. O Brasil e a União Europeia têm urgência na vacinação pelo elevado número de mortos e contaminados, mas vários países asiáticos avançam na imunização em ritmo lento simplesmente por enfrentarem um contexto pandêmico menos agressivo. 

"A China parece preferir usar suas vacinas como um instrumento de soft-power em relação aos países mais pobres, em vez de ter pressa em imunizar sua população", afirma o texto. Na China, o consumo das famílias mais ricas registrou uma aceleração durante o verão de 2020, principalmente a compra de produtos de luxo e carros sofisticados. "Em Nova York, restaurantes e bares que acabaram de reabrir ajudarão a transformar em euforia a escuridão dos últimos meses", observa o jornal econômico francês.

O despertar de Nova York

A cidade americana, durante muito tempo o maior centro de contaminação da Covid-19 nos EUA, ganha reportagem especial no Libération. "Os moradores de Nova York esperam um retorno rápido da atividade econômica, ainda profundamente marcados pela pandemia que matou mais de 30.500 pessoas e agravou a pobreza", diz o texto. O inferno começou em 22 de março do ano passado, quando o lockdown foi decretado e os corpos de mortos da Covid-19 começaram a se acumular em toda parte. 

Um ano depois, o ruído das buzinas e o balé dos helicópteros está de volta. "Cerca de 3,4 milhões de habitantes de Nova York já tomaram a primeira dose da vacina e a cidade encontra novamente sua energia legendária", observa a reportagem do Libération. As disparidades na imunização permanecem, no entanto, presentes: 35% dos adultos foram vacinados em Manhattan, contra 25% no Bronx, relata o jornal progressista. 

Como muitos analistas observam, apesar do acalentado desejo de mudança no "mundo pós-pandemia", as desigualdades perduram. 

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