Emprego no mundo só deve voltar a nível pré-pandemia em 2023, de acordo com a OIT

A crise de emprego causada pela pandemia deve persistir ainda em 2022.
A crise de emprego causada pela pandemia deve persistir ainda em 2022. © REUTERS/Eric Gaillard

A pandemia da Covid-19 colocou na pobreza 108 milhões de trabalhadores em todo o mundo devido à redução de trabalho e o desemprego, segundo anunciou a OIT (Organização Internacional do Trabalho) nesta quarta-feira (2). Em seu relatório anual, a entidade estima que a crise no mundo profissional causada pela pandemia ainda se alongue pelo próximo ano e o mundo só volte ao mesmo nível de emprego em 2023.

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Cinco anos de progressos para a erradicação da pobreza entre os trabalhadores foram arruinados. Este é o resumo do impacto da pandemia no mundo profissional feito pelo relatório da OIT.

Cerca de 108 milhões de trabalhadores no mundo foram requalificados como pobres ou muito pobres ao longo dos últimos 17 meses. Isso significa um exército de profissionais que ganham menos de US$ 3,2 por dia (R$ 16,2).

Mesmo que aos poucos a economia dos países esteja sendo retomada, a agência da ONU estima que no final de 2021 o mundo contará com 75 milhões de empregos a menos do que se a pandemia não tivesse acontecido.

"Sem um esforço deliberado para acelerar a criação de empregos decentes e apoiar os membros mais vulneráveis das sociedades e a reativação dos setores econômicos mais afetados, os efeitos da pandemia podem durar anos sob a forma de perda de potencial humano e econômico e maior pobreza e desigualdade", prevê o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Menos trabalho para quem está empregado

A OIT alerta para a situação dos trabalhadores que ainda estão empregados mas viram o número de horas trabalhadas cair desde o início da pandemia, reduzindo seus salários e gerando pobreza.

Em 2020, 8,8% das horas trabalhadas evaporou em comparação com o quarto trimestre de 2019, ou seja, o equivalente a 255 milhões de emprego em tempo integral.

Mesmo que a recuperação econômica se intensifique em algumas partes do mundo até o final do ano, ainda faltará o equivalente a 100 milhões de empregos.

"Este déficit de empregos e horas de trabalho se somam aos altos níveis de desemprego, subemprego e péssimas condições de trabalho" que prevaleciam antes da crise sanitária.

Retorno só em 2023

Na estimativa da agência, em 2022 haverá 205 milhões de desempregados em todo o mundo, atingindo ainda mais pessoas do que os 187 milhões de desempregados existentes em 2019.

O nível de emprego anterior ao da crise sanitária só deve ser alcançado em 2023.

Mesmo que a situação do emprego melhore no segundo semestre deste ano, a recuperação será desigual. Os diferentes ritmos de campanhas de vacinação entre países ricos e pobres e as diferenças na capacidade de injetar recursos em planos de estímulo econômico são algumas das razões para a ampliação da desigualdade no mundo profissional.

(Com informações da AFP)

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