França indicia Volkswagen e Renault por suposta fraude em controles de poluição

Renault suspeita de "fraude" em motores à diesel.
Renault suspeita de "fraude" em motores à diesel. LOIC VENANCE AFP

A Volkswagen foi indiciada na França no dia 6 de maio por "fraude" na investigação do escândalo de emissões poluentes de gerações anteriores de motores a diesel, anunciaram o fabricante e uma fonte judicial nesta quarta-feira (9), confirmando informações da rádio Europa 1.

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Na véspera, a fabricante automobilística francesa Renault anunciou que está sendo investigada por uma suposta fraude nos controles de poluição de motores a diesel de veículos antigos, nos moldes do que ficou conhecido como “dieselgate”.

A Renault deverá pagar uma fiança de € 20 milhões e uma garantia bancária suplementar de € 60 milhões no caso de possíveis indenizações, afirmou a empresa em um comunicado.

A fabricante francesa negou "ter cometido qualquer infração" e destacou que "seus veículos não estão equipados com programas fraudulentos". A gigante alemã contesta "qualquer dano" aos consumidores franceses.

Uma fonte judicial confirmou à AFP a acusação contra a Volkswagen em 6 de maio por "dissimular as qualidades substanciais de uma mercadoria que causa perigo para a saúde de humanos ou animais".

De acordo com essa fonte, a Volkswagen foi colocada “sob controle judicial com a obrigação de pagar uma caução no valor de € 10 milhões de euros e a obrigação de apresentar uma caução de € 60 milhões, sob a forma de fiança bancária”.

Volks reconheceu culpa nos EUA

O dieselgate, que deu origem a ações judiciais em muitos países, já custou à Volkswagen € 30 bilhões, principalmente nos Estados Unidos, onde o grupo alemão se declarou culpado de fraude em 2017.

A Volkswagen admitiu no outono de 2015 ter equipado 11 milhões de seus veículos a diesel com um software capaz de ocultar emissões que às vezes excedem 40 vezes os padrões autorizados.

As investigações sobre esse escândalo foram retardadas por uma batalha legal perante o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJEU), que finalmente confirmou a ilegalidade do software da Volkswagen no final de 2020.

"O processo contra a Volkswagen terminou na Alemanha em 2018 com o pagamento de uma multa de € 1 bilhão por fatos supostamente idênticos, incluindo veículos comercializados na França", disse a empresa em um comunicado transmitido à AFP por seu advogado, Nicolas Huc- Morel.

“Para a Volkswagen, os fatos examinados pelos tribunais franceses estão incluídos e são idênticos aos já julgados na Alemanha, mas os juízes nos disseram que, segundo eles, era necessário continuar as investigações antes de decidir definitivamente sobre o assunto”, Huc-Morel disse à AFP.

A empresa já contestou esta análise dos magistrados perante a câmara de investigação do Tribunal de Recursos de Paris, que ainda não deu parecer sobre o pedido.

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