Manual de boa conduta para jogadores da Seleção da França divide opiniões

Zinedine Zidane joga futebol ao lado do técnico da seleção francesa, Laurent Blanc, em Clairefontaine.
Zinedine Zidane joga futebol ao lado do técnico da seleção francesa, Laurent Blanc, em Clairefontaine. REUTERS

Apenas a metade dos franceses é favorável à cartilha imposta pela Federação Francesa de Futebol. O regulamento proíbe insultos ao presidente e ao técnico e pede menos greve. O treino dos Les Bleus desta quarta-feira contou com a presença do ex-jogador Zinedine Zidane. 

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O novo manual de boa conduta direcionado aos jogadores da seleção da França vem dividindo a opinião dos franceses. O jornal Le Parisien abriu um fórum, nesta quarta-feira, no seu site na internet, perguntando se as novas regras impostas são realmente eficazes. Pouco mais da metade, 52% dizem que "não" e 48% são favoráveis.

O fato é que a cartilha feita pela Federação Francesa de Futebol tornou-se ainda mais necessária depois da crise interna na seleção, que provocou a humilhante desclassificação dos Les Bleus do Mundial 2010 ainda na primeira fase. O manual de 30 páginas foi apresentado aos jogadores na noite desta segunda-feira e pode ser visto como uma tentativa de salvar a todo custo a imagem arranhada da equipe.

As novas regras incluem relações com a mídia, parceiros e patrocinadores, utilização de equipamentos e uniformes, e boa conduta nos treinos e jogos. O que mais chama a atenção é o capítulo dedicado ao respeito pelo outro. O texto começa com a frase "Não insultar o presidente!". E continua: "Para a boa convivência, é preciso sorrir. Para isso, os colegas devem se apreciar mutuamente e respeitar o treinador. Ser um bom jogador não é suficiente. O time não pode ir bem se não houver respeito".

O manual bate muito nesse ponto, pois a gente lembra que a crise da seleção francesa na Copa começou com a expulsão de Anelka da equipe, por ter xingado o então técnico Raymond Domenech no intervalo da partida com o México. Por causa do episódio, seus colegas fizeram greve na véspera de um jogo decisivo contra a Africa do Sul. O direito de greve, aliás, também é citado na cartilha. "Os movimentos de greve devem acontecer raramente. Esperamos um serviço mínimo", escreve a Federação.

Também faz parte do novo regulamento não ser polígamo, trabalhar mais para ser selecionado com mais frequência, cantar o hino francês "La Marseillaise" antes dos jogos, ser pontual e utilizar o uniforme corretamente sem bolsas de marcas que não sejam do patrocinador.

Quem não respeitar as regras poderá pagar uma multa que varia entre 10 mil e 50 mil euros, e até ser expulso da seleção francesa.

O regulamento já está valendo. Na manhã desta quarta-feira, a equipe francesa treinou em Clairefontaine, na região parisiense. Quem apareceu por lá para uma visitinha foi o ex-jogador da seleção Zinedine Zidane. Ele cumprimentou os ex-companheiros e o novo técnico Laurent Blanc, e participou de um treino com bola "mais técnico e lúdico", segundo o treinador. Zidane jogou altinha e depois distribuiu autógrafos para os torcedores.

A aparição do astro do futebol não é à toa. O treinador francês quer dar uma reviravolta na imagem dos Les Bleus e deve convidar para uma visita outras estrelas durante o Euro 2012. A fase de classificação já começa nesta sexta-feira com a França enfrentando a Bielo-Rússia.
 

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