Futebol/Violência

Torcedores sérvios são presos ao voltar para casa

Confrontos entre torcedores sérvios e policiais italianos.
Confrontos entre torcedores sérvios e policiais italianos. Reuters

Na terça-feira à noite, confrontos entre torcedores sérvios e policiais italianos em Gênova após a anulação de um jogo entre Itália e Sérvia pelas eliminatórias da Eurocopa-2012 deixaram 16 feridos, sendo dois em estado grave. A polícia sérvia anunciou hoje que prendeu 19 torcedores que voltavam para seu país de ônibus. Depois de virar caso de polícia, o mais recente episodio de violência no futebol europeu se tornou também tema de debate político.

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O ministro do Interior da Sérvia, Ivica Dacic, revelou nesta quinta-feira que 19 torcedores foram presos quando retornavam ao país. O ônibus deles ficou detido na fronteira para averiguações durante mais de cinco horas. O ministro Dacic prometeu uma investigação aprofundada sobre o episódio de Gênova.
Dezessete torcedores sérvios já haviam sido presos pela polícia italiana na madrugada de terça para quarta-feira, e 8 deles continuam detidos.
O comportamento violento dos torcedores da Sérvia atrasou em meia hora o início do jogo na terça-feira. A partida durou apenas seis minutos e foi interrompida pelo árbitro porque torcedores sérvios estavam lançando fogos de artifício e sinalizadores no campo e na direção da torcida italiana.
Fora do estádio, os torcedores sérvios ameaçaram o goleiro da própria equipe, Vladimir Stojkovic. O jogador começou a ser perseguido pelos seguidores do time sérvio Estrela Vermelha depois que se transferiu para o rival Partizan.
O líder dos torcedores fanáticos da Sérvia, Ivan Bogdanov, que está preso em Gênova, pediu desculpas à Itália, por meio de seu advogado. Ele afirmou que os distúrbios durante a partida eram na verdade um protesto contra a Federação Sérvia de Futebol.
Michel Platini, o presidente da UEFA, órgão que regulamenta o futebol europeu, prometeu "tolerância zero" com os culpados. Após concluir uma investigação sobre o episódio, a UEFA deve anunciar no dia 28 de outubro as medidas que serão tomadas. A Sérvia corre o risco de ser excluída da Eurocopa e de outras competições.

Polêmica

A oposição italiana acusa o Ministério do Interior de ter deixado entrar no país ônibus cheios de torcedores violentos. Já o ministro do Interior, Roberto Maroni, acusa o serviço de inteligência de Belgrado de não ter dado informações que permitissem à Itália se preparar de maneira adequada para receber o grupo de fanáticos. Seu colega sérvio, por sua vez, critica a atuação da polícia italiana, que segundo ele não deveria ter deixado os torcedores sérvios entrarem no estádio. Os responsáveis pela segurança replicam dizendo que liberaram a entrada aos torcedores sérvios porque seria mais fácil controlá-los dentro do estádio. Na noite de ontem, o presidente sérvio Boris Tadic telefonou para o presidente do Conselho italiano, Silvio Berlusconi, pedindo desculpas pelo episódio.
 

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