Futebol Feminino

Às vésperas de mundial na Alemanha, jornal francês destaca “canarinhas”

O argentino Messi e a brasileira Marta foram os melhores do mundo, segundo a Fifa, em 2010.
O argentino Messi e a brasileira Marta foram os melhores do mundo, segundo a Fifa, em 2010. Reuters

A edição eletrônica do jornal Le Monde desta quinta-feira dá destaque para a seleção feminina do Brasil, com reportagem feita em Teresópolis, durante treinos da equipe antes do Mundial, que começa dia 26, na Alemanha.

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“No país do futebol, as brasileiras jogam para existir” é a manchete, com uma foto das jogadoras festejando a vitória nas semifinais de 2007, na China. A reportagem começa colocando o leitor na paisagem da região serrana de Teresópolis: “Com montanhas recobertas de Mata Atlântica e um belo lago, a pacata cidade de Teresópolis é um local ideal para treinar”. Explica, em seguida, que o local é “mítico”, pois é também na Granja Comary que as estrelas da seleção masculina, como Neymar e Robinho, treinam pelo Santos.

Mas no começo de junho, as estrelas de Teresópolis são Marta e Aline. O treinamento é concentrado no aspecto físico, ponto fraco das jogadoras, explica ao Monde o técnico Kleiton Lima, lembrando que as brasileiras jogam no grupo D das noruegas, que já venceram a cobiçada taça mundial. Mas Aline garante que a técnica e a intuição tática das canarinhas serão compensadas.

As brasileiras buscam o título inédito, para tirar o gosto amargo da prata obtida na copa de 2007 (derrota para as alemãs) e nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 (vitória norte-americana). Mas a reportagem lembra que as brasileiras progrediram nos últimos tempos e hoje ocupam o terceiro lugar do ranking mundial. O Monde também recorda que o futebol feminino começou no Brasil em 1965, mas que foi proibido pela ditadura militar por ser um esporte “masculino”, como o rúgbi, o polo e a luta.

Entrevistada por Le Monde, a filósofa Baby Siqueira Abrão explica que “séculos de discriminação não desaparecem de um dia para outro”. Para ela, o futebol feminino é de uma certa forma uma “transgressão que inverte a ordem estabelecida e rompe com o conceito de fragilidade da mulher”. O jornal explica ainda além do preconceito, as jogadoras, cujo espírito de grupo e cumplicidade são visíveis, lutam para ter mais visibilidade, reconhecimento e profissionalismo.
 

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