França/futebol

Jogos "arranjados" e transferências fraudulentas de atletas abalam futebol francês

A transferência do atacante André-Pierre Gignac do Toulouse para o Olympique de Marselha é investigada pela justiça francesa.
A transferência do atacante André-Pierre Gignac do Toulouse para o Olympique de Marselha é investigada pela justiça francesa. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Os fãs de futebol na França vão se lembrar da terça-feira (18) como o dia em que foram revelados dois grandes escândalos que levaram o esporte às páginas policiais: as denúncias de transferências fraudulentas envolvendo dirigentes do Olympique de Marselha e as suspeitas de jogos "arranjados" da segunda divisão do campeonato.

Publicidade

A justiça francesa decidiu nesta quarta-feira (19) prorrogar por mais 24 horas a prisão preventiva de diversos dirigentes do clube Olympique de Marselha para continuar as audiências sobre um suposto esquema fraudulento envolvendo transferências de jogadores. Eles também são suspeitos de ligação com uma rede de criminosos da Córsega, ilha francesa do Mediterrâneo.

Entre os dirigentes detidos para interrogatório, estão o atual presidente do clube, Vincent Lebrune, seu braço-direito, Philippe Perez, e os ex-presidentes Pape Diouf e Jean-Claude Dassier. Mais seis pessoas, entre elas, agentes de jogadores que também foram detidos e devem ser ouvidos hoje.

O ex-diretor esportivo José Anigo, que trabalha como "olheiro" do clube na África e está baseado no Marrocos, também deverá ser prestar depoimento, segundo uma fonte da justiça. As suspeitas de ligações com o crime organizado foram estabelecidas no decorrer de uma investigação aberta em 2011 por "extorsão de recursos, lavagem e formação de quadrilha".

Entre as transferências investigadas pela polícia e pela justiça está a compra, pelo Olympique de Marselha, do atacante André-Pierre Gignac, por € 20 milhões do Toulouse. Segundo documentos obtidos em operações policiais, há suspeita de pagamento de comissões ilegais e fraudes financeiras ligadas às transferências.

Suspeita de jogos "arranjados"

O escândalo envolvendo o Olympique de Marselha foi revelado no mesmo dia das operações feitas para apurar a denúncia de supostos jogos "arranjados" envolvendo equipes da segunda divisão do campeonato francês durante a temporada 2012/2013.

Vários dirigentes foram detidos para prestar depoimento, entre eles, o presidente do Nîmes, Jean-Marc Conrad, do presidente do Caen, Jean-François Fortin, e do treinador do Dijon, Olivier Dall'Oglio.

Uma das suspeitas é de que o clube Nîmes tenha feito pressão e oferecido "acordos" com outros clubes para não ser rebaixado para a terceira divisão do futebol francês. No centro do escândalo está o maior acionista do Nîmes, Serge Kasparian, envolvido em um outro caso da justiça relacionado a casas de jogos clandestinos.

Documentos retidos pelos policiais levantaram a possibilidade de haver jogos "arranjados" na segunda divisão do campeonato. As investigações sobre uma suposta "corrupção passiva e ativa" levaram à suspeita de que acordos foram feitos para o Nîmes se manter na Liga 2, um fato crucial para que Kasparian entrasse no capital do clube.

Entre os jogos "arranjados", estaria o empate de 1 a 1 entre Nîmes e Caen no dia 13 de maio. O resultado manteve as chances do Caen de subir à divisão principal e do Nîmes de se manter na segunda divisão do futebol francês.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.