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Corrupção em jogos de tênis começa em torneio de juniores

Jovens podem ceder a tentativas de suborno, diz treinador francês.
Jovens podem ceder a tentativas de suborno, diz treinador francês. REUTERS/Brandon Malone
3 min

Em ampla reportagem com repercussões e análises sobre o escândalo de manipulação de resultados em partidas de tênis, o jornal francês Libération revela que os casos de corrupção podem começar com os jovens tenistas.

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O escândalo dos jogos arranjados foi revelado por uma investigação de jornalistas da BBC e do site BuzzFeed. Eles disseram ter documentos que comprovam o envolvimento de 16 jogadores da elite do tênis em corrupção relacionada a sites de apostas na internet. Metade dos atletas apontados disputam o atual Aberto da Austrália em Melbourne, comenta o jornal.

O jornal Libération questiona se as revelações irão balançar a estrutura do tênis como aconteceu no ciclismo, futebol ou atletismo. O problema da corrupção é recorrente no tênis, e o trabalho investigativo citou apenas os casos já conhecidos envolvendo o russo Nikolay Davidenko e o argentino Martin Vassalo-Arguello. A apuração apontou falta de provas de corrupção.

O atual número 1 do mundo, o sérvio Novak Djokovic disse na segunda-feira, após estrear com vitória em Melbourne, que em 2007 sua equipe foi sondada para participar de um esquema no torneio de São Petersburgo, mas rejeitou prontamente a oferta.

O suíço Roger Federer lamentou que o escândalo se refira a grandes tenistas e a vencedores de um Grand Slam, mas não cita nomes. Ele desafia os autores das denúncias a revelar os envolvidos para saber se são atletas que disputaram pelo menos os torneios de simples ou de duplas.

Tentação para jovens tenistas

Segundo o diário francês, a soma oferecida para jogadores forjarem derrotas ou vitórias em partidas e até em determinados sets varia de US$ 10 mil a US$ 50 mil. Pode parecer uma “gota d'água” para as estrelas milionárias desse esporte, mas para quem começa a carreira “pode se deixar influenciar”, garante o treinador francês Lionel Zimbler, citado pelo Libération.

Técnico de Benoît Paire, Zimbler diz que o esquema começa cedo, em torneios de juniores. Jovens atletas que têm que pagar técnicos, fisioterapeutas e outras pessoas da equipe podem se sentir seduzidos pela oferta. Ele considera esse problema mais grave do que o doping no tênis.

Esporte e justiça

Em entrevista ao Libération, Jean-François Vilotte, advogado especializado e primeiro presidente da Autoridade de Regulação de Jogos Online, disse que o tênis, por ser um esporte individual, é mais fácil de corromper por dispensar negociações com uma equipe. “Pode-se facilmente manipular um jogo em Roland-Garros a partir de Cingapura”, afirma.

Vilotte disse que as medidas adotadas pelas federações esportivas, como a proibição de atletas e familiares de fazer apostas, são insuficientes para combater a corrupção. Só a justiça penal poderá fazer recuar essa prática, mas para isso será preciso instaurar um mecanismo de detecção de fluxos financeiros. O mundo esportivo deveria acionar a justiça assim que casos surgissem, o que está longe de ser o caso, garante o especialista.

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