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Rio 2016

Olimpíadas beneficiam cidade "formal", dizem moradores do Santa Marta

Morro Santa Marta, a primeira comunidade pacificada do Rio de Janeiro.
Morro Santa Marta, a primeira comunidade pacificada do Rio de Janeiro. RFI Brasil
Texto por: Elcio Ramalho
5 min

A realização dos Jogos Olímpicos empolga os moradores do morro de Santa Marta, mas não trouxe os benefícios que muitos esperavam para a primeira comunidade pacificada do Rio de Janeiro.

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“Assim como ‘trocou de roupa’ da cidade, a gente gostaria de que trocassem a ‘roupagem das comunidades’ também”, lamentou José Mário Hilário, presidente da Associação dos Moradores da Favela e da Associação comunitária que reúne 40 favelas do Rio de Janeiro.

“Do meu ponto de vista foi a melhor oportunidade do século, tanto para o prefeito quanto para a cidade. A diferença é a área formal e a informal da cidade. Às vezes a população não vê as benesses para as favelas do projeto olímpico. Para a cidade teve bastante melhorias. A gente quer que essas melhorias cheguem às favelas também. Aqui não chegou. A atenção foi para a área formal da cidade”, completou.

O comerciante Antonio Borges, que tem uma mercearia na entrada do morro, também não ficou benefícios: "Não estou sentindo diferença alguma. Movimento com essa crise, sabe como é. Com Jogos ou não, é melhor para alguns e para outros não.”

Conhecida internacionalmente depois da gravação de um clip They don’t care about us, em 1996, do cantor Michael Jackson, o Santa Marta se beneficiou e explora a passagem do ídolo pop, imortalizada com imagens e uma escultura no local. Com a pacificação da favela, ocenário se tornou um atração turística no Rio e atraiu um número maior de visitantes, o que faz a alegria de Andreia Miranda, dona da loja que vende souvenirs do ídolo pop.

“Eu gostaria de ter Olimpíada pelo menos uma vez todo mês. A gente aumenta a movimentação da favela e todo mundo ganha um pouquinho. Os moradores que trabalham com turismo ganha um pouquinho. Temos guiam que trabalham com a visita de estrangeiros”, diz.

Moradores do Morro Santa Marta estão divididos sobre legado dos Jogos.
Moradores do Morro Santa Marta estão divididos sobre legado dos Jogos. Foto: RFI Brasil

Mesmo moradores que apenas observam o vai e vem de turistas também se empolgaram com o evento. “É bom porque todo mundo aprende bastante e tem que falar várias línguas”, afirma Vera Lúcia. “Está trazendo turistas para a comunidade. Vamos ver se vai trazer um recursos para nós depois das Olimpiadas. Por enquanto ainda não vimos benefício. Vamos aguardar o final para ver se depois vão trazer projetos para a comunidade como colégios, cursos, faculdade”, diz esperançoso o pintor Nivaldo Nunes Barbosa.

Para o aposentado Salvador Pinto de Souza, de 74 anos e há mais de 50 morando na favela, é preciso aguardar o final do evento para avaliar os verdadeiros benefícios para a comunidade e para a cidade.
“As Olimpíadas são boas até certo ponto. Esse monte de obra, prédio... Se o pessoal não tem dinheiro para pagar, quem é que vai manter? Se tudo que for feito, derem continuidade, vai ser bom”, diz em referência à crise financeira do estado do Rio.

Projeto bem sucedido

Em 2008, o Santa Marta se tornou a primeira das 38 comunidades que recebeu o projeto das UPPs, que levou a polícia militar a ocupar o local e desenvolver projetos sociais. Um dos mais bem sucedidos é o do jiu-jitsu para crianças e adolescente. Pelo pelos três vezes por semana, um grupo de jovens recebe instruções de professores que trocam a farda da polícia militar pelo quimono.

“A gente trabalha com as crianças da comunidade para que haja uma integração entre polícia e moradores, que antigamente não existia e trabalhar com eles, no horário em que eles têm vago da escola e para não ficarem soltos e serem influenciados pelo tráfico de drogas”, diz o soldado Eduardo Macena que está há seis anos no Santa Marta e dois como instrutor do esporte.

Eduardo Macena, soldado e instrutor de jiu-jitsu.
Eduardo Macena, soldado e instrutor de jiu-jitsu. Foto: RFI Brasil

“Para gente é um projeto que deu e está dando certo. O nosso grande desafio é manter a pacificação na comunidade”, afirma a tenente Tatiana Lima, responsável pela Unidade de Polícia Pacificadora.

 

 

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