Rio 2016/Judô

Mayra Aguiar conquista bronze na Rio 2016: “Foi mágico”

Mayra Aguiar exibe sua medalha de bronze conquistada nesta quinta-feira (11) na Arena Carioca, no Rio de Janeiro.
Mayra Aguiar exibe sua medalha de bronze conquistada nesta quinta-feira (11) na Arena Carioca, no Rio de Janeiro. REUTERS/Stoyan Nenov
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A gaúcha Mayra Aguiar conquistou nesta quinta-feira (11) a primeira medalha de bronze para o Brasil e a segunda do judô nas Olimpíadas do Rio 2016. Ela repete o desempenho de Londres e, aos 25 anos, entra no seleto grupo de atletas com duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos.

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Do enviado especial ao Rio de Janeiro,

“É maravilhoso (conquistar) uma medalha olímpica. Para um atleta é tudo. A gente luta por isso, dorme, acorda pensando nisso”, disse, ainda muito emocionada ao final do combate.

“Em Londres foi maravilhoso, tudo o que aconteceu comigo depois daquela medalha olímpica. Mas em casa, com essa torcida maravilhosa, linda demais, minha família, meus amigos, poder abraçar todo mundo ali para mim foi mágico. Uma das melhores sensações que tive na vida”, afirmou, logo depois de sair do tatame e ainda enrolada na bandeira do Brasil.

“É uma superação. A primeira coisa que a gente aprende no judô é cair. Cair e se levantar. Hoje eu caí feio, até demais, mas eu me levantei e não poderia deixar escapar essa medalha”, disse, em referência à derrota na semifinal para a francesa Audrey Tcheumeo e, na sequência, a vitória sobre a cubana Yalennis Castillo.

Com pouco tempo para se recuperar da decepção de não disputar o ouro, Mayra contou com o apoio da torcida verde-amarela das arquibancadas que gritava seu nome e incentivava com gritos de “Brasil, Brasil”. “O pessoal vibrou muito e poder devolver essa alegria para eles com essa medalha foi mágico”, comentou Mayra.

Mayra Aguiar comemora a conquista da medalha de bronze na Rio 2016.
Mayra Aguiar comemora a conquista da medalha de bronze na Rio 2016. REUTERS/Stoyan Nenov


“Sair na porrada”

Apesar da alegria com a medalha, Mayra também lamentou a falta de combatividade em um momento crucial em seu percurso: a disputa na semifinal contra Audrey Tcheumeo. A gaúcha perdeu o combate por duas penalidades contra uma da francesa.

“Eu pensei demais na luta antes de lutar. Eu tinha uma estratégia montada, a pegada dela acabou me atrapalhando, pensei demais naquilo. Eu esqueci de entrar na luta, de jogar mesmo, sair na porrada. Acho que foi aí que eu pequei”, confessou, ao avaliar rapidamente o combate que a impediu de disputar o ouro. “O tempo passa rápido, infelizmente, não consegui, mas é uma luta que ainda vou analisar porque ainda tenho muito pela frente”, continuou.

Com apenas 25 anos, completados no último dia três de agosto, ela enxerga o futuro com ainda mais determinação: “Acabou essa Olimpíada, vou comemorar, com certeza, mas tenho 25 anos. Tem Tóquio 2020, tem Mundial todo ano, então saio daqui com muita vontade, muita alegria e saio de cabeça erguida”.

Lembrada que ela entra no seleto grupo de judocas com duas medalhas de bronze, como Aurélio Miguel (1988 e 1996) e Tiago Camilo (2004 e 2008), Mayra revelou todo o orgulho por seu percurso. “O atleta quando entra no esporte sempre sonha em ter uma medalha olímpica. Agora não é só o nome, Mayra. É Mayra medalhista olímpica”, celebrou.

Mayra Aguiar celebrou a medalha com parentes e amigos nas arquibancadas da Arena Carioca 2.
Mayra Aguiar celebrou a medalha com parentes e amigos nas arquibancadas da Arena Carioca 2. REUTERS/Stoyan Nenov

Percurso

Cabeça de chave, Mayra, número 4 do ranking mundial, entrou direto na segunda rodada do torneio para enfrentar a australiana Giambelli Miranda, derrotada por ippon. Na rodada seguinte, já nas quartas de final, a gaúcha passou pela alemã Luise Malzhan.

Mas o sonho do ouro parou no obstáculo mais difícil. A francesa Audrey Tcheumeo segurou a brasileira e venceu a luta após duas penalidades de Mayra, bastante contestadas pelos torcedores presentes que vaiaram a decisão da arbitragem. A medalha de bronze foi obtida após a vitória sobre a cubana Yalennis Castillo com um yuko.

Na final, Tcheumeo foi derrotada pela americana Kayla Harrison que ficou com o ouro, o segundo consecutivo após o primeiro, conquistado em Londres.
 

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