Rio 2016/Ginástica

Diego Hypolito na prata e Arthur Nory no bronze fazem história na Rio 2016

Arthur Nory (à esq.) e Diego Hypolito com a bandeira brasileira no ginásio.
Arthur Nory (à esq.) e Diego Hypolito com a bandeira brasileira no ginásio. REUTERS/Mike Blake
5 min

A primeira vez que o Brasil subiu ao pódio na prova de solo na ginástica masculina foi duplamente inédita. Contando com falhas dos principais adversários, Diego Hypolito conquistou a medalha de prata e Arthur Nory a de bronze nas Olimpíadas do Rio. 

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Sem seres os favoritos da prova, os dois brasileiros foram favorecidos por tropeços de dois dos principais candidatos potenciais ao pódio. O japonês Kohei Uchimura, campeão mundial e medalha de ouro por equipes nos Jogos do Rio, pisou fora da área de apresentação e perdeu pontos preciosos, ficando em quinto na classificação final.

O americano Samuel Mikulak, que foi o vencedor na fase classificatória com 15.800 pontos, encerrou a série com uma performance decepcionante. Além de pisar fora da linha, ainda se desequilibrou em vários saltos e surpreendentemente terminou em último.

Diego Hypolito durante sua apresentação no solo.
Diego Hypolito durante sua apresentação no solo. REUTERS/Ruben Sprich

Antes mesmo de Mikulak pisar no palco, Diego já tinha garantia de uma medalha, mas ficou ainda mais feliz ao saber que seria de prata. “Foi um sonho, uma coisa maravilhosa, um sentimento inexplicável”, disse Diego após a cerimônia de entrega de medalhas. “Eu esperei isso por 12 anos. Na primeira Olimpíada caí de bunda. Eu achava que ia ser campeão e não fui porque não era merecedor naquele momento. Em Londres, fui de uma maneira meio ‘capenga’, se recuperando de muitas lesões e caí literalmente de cara. Aqui, eu não era tão bom, mas me esforcei, me dediquei, abdiquei de muita coisa”, disse.

Considerado "velho"

Segundo a se apresentar na final, Diego saiu muito satisfeito e vibrando com sua apresentação. Com 15.533 pontos, ele já sabia que não ficaria no alto do pódio, já que o britânico Max Whitlock havia feito 15.633 pontos na apresentação anterior.

Mesmo assim, disse ter acreditado até o fim e, ao final, desabafou: “Eu, com 30 anos de idade, era cotado como um atleta velho. Muitos diziam que eu não iria competir na Olimpíada. Estou vivendo um sonho inexplicável”, insistiu. “Não existe cor de medalha. O mais importante é estar aqui e acertar”, declarou.

Diego ressaltou duas pessoas que muito contribuíram para que ele se empenhasse na reta final: Arthur Zanetti, que compete nas argolas, e seu treinador Marcos Goto. O medalhista de prata também agradeceu aos fãs que sempre o apoiaram, mesmo depois das quedas de Pequim (2008) e Londres (2012).

“Vocês contribuíram muito e me deram muita força”, agradeceu. “Eu estava feliz de estar aqui. Olimpíada é isso. Aqui é Copa do Mundo, é Mundial, nem sempre o campeão vence. Às vezes, um atleta que se dedicou mais e foi mais merecedor não consegue. Tinha muitos atletas melhores do que eu nessa final, mas consegui ficar em segundo. Isso demais, Tóquio que me espere”, concluiu.

Diego Hypolito (à esq.) e Arthur Mariano Nory com suas medalhas de prata e de bronze nos Jogos do Rio.
Diego Hypolito (à esq.) e Arthur Mariano Nory com suas medalhas de prata e de bronze nos Jogos do Rio. REUTERS/Mike Blake

Estreia bronzeada em Jogos

Apreensão maior viveu o paulista Arthur Mariano Nory. Ele explicou ter "sentido vir a medalha" no decorrer da apresentação. Ele tinha se classificado com o terceiro melhor tempo, com 15.200 pontos e foi o quinto a se apresentar. Ele comemorou muito sua saída do solo, e se ajoelhou no ginásio até aparecer sua nota: 15.433 pontos.

“Fiquei contente com a minha apresentação, nem vi os outros se apresentarem. Eu estava focado e agradecendo muito a Deus, ao universo, a essa energia maior. Pensei: aconteça o que acontecer”, explicou.

Arthur Mariano Nory durante sua apresentação no solo.
Arthur Mariano Nory durante sua apresentação no solo. REUTERS/Athit Perawongmetha

O jovem de 22 anos, que diz ter feito uma série muito mais difícil do que havia treinado, também revelou ter contado com sua força mental: "Eu acreditei desde o momento em que cheguei nessas Olimpíadas. Disse para mim mesmo: vou ser medalhista olímpico. Todo dia, toda noite antes de dormir tinha esse pensamento, de fazer o meu melhor e o meu máximo, e consegui".

“Nunca se deve desistir de um sonho, sempre se deve acreditar”, disse, exibindo com orgulho sua medalha de bronze no peito.

 

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