Michel Platini é ouvido por Justiça suíça em caso de peculato envolvendo Sepp Blatter

Michel Platini chegando em Berna nesta segunda-feira (31), onde foi ouvido pela Justiça suíça.
Michel Platini chegando em Berna nesta segunda-feira (31), onde foi ouvido pela Justiça suíça. AFP

Michel Platini foi ouvido nesta segunda-feira (31) pela Justiça suíça, em Berna. Ele é suspeito de cumplicidade e peculato dentro do processo aberto em 2015 contra o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter.

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Platini chegou na manhã desta segunda-feira na sede do Ministério Público da Confederação (MPC), em Berna, acompanhado de seu advogado, Dominic Nelle. Ele foi ouvido pelo procurador Thomas Hildbrand.

No começo de junho, o procurador incluiu o ex-campeão da seleção francesa na investigação que visava até então apenas Blatter. O ex-presidente da Fifa fez um pagamento de 1,8 milhão de euros, sem contrato escrito a Platini em 2011, por um trabalho de conselheiro concluído em 2002.

A procuradoria decidiu estender sua investigação a Platini, por suspeita de “cumplicidade em gestão desleal e peculato”. O ex-presidente da UEFA, de 65 anos, passou a ser suspeito no caso.

Platini foi ouvido durante três horas. “Tudo correu bem com relação às questões feitas ao meu cliente”, declarou seu advogado logo após a audição, que foi feita a portas fechadas.

“Ele respondeu todas as perguntas que o procurador fez e contou como tudo aconteceu e qual é a verdade sobre o pagamento. Nós esperamos as outras testemunhas que serão ouvidas nos próximos dias. Não temos medo porque elas dirão a verdade e o procurador poderá ver por ele mesmo que não existe nada ilegal neste pagamento”, acrescentou Nellen. Blatter deve ser ouvido na terça-feira.

Dois outros ex-dirigentes da Fifa também são alvos da investigação: o francês Jérôme Valcke, ex-secretário geral da organização, e o alemão Markus Kattner, ex-diretor financeiro, “por suspeita de gestão desleal”, precisou o MPC. Kattner será ouvido em 4 de setembro.

Em junho, Platini indicou que o MPC tinha confirmado por escrito, em maio de 2018, a seu advogado que o caso de 2015 estava encerrado no que dizia respeito a ele. “Eu não tenho nenhuma razão de pensar que o procurador Hildbrand tenha outra visão das coisas”, acrescentou. “Após cinco anos, é totalmente possível que a Fifa continue a me importunar através de queixas com o único objetivo de me manter afastado do futebol e manchar minha reputação”, disse o ex-jogador.

Sereno

A Justiça suíça abriu o processo penal em setembro de 2015 visando Sepp Blatter sobre o pagamento suspeito. “Eu repito, trata-se de um antigo salário por um trabalho realizado por Michel Platini. A soma foi validada pela comissão de finanças. Isso não pode ser um processo penal”, declarou Blatter a jornalistas, se dizendo sereno antes da nova audição.

O pagamento suspeito custou a Blatter e a Platini uma suspensão de vários anos de toda atividade ligada ao futebol que impediu o ex-presidente da UEFA de concorrer à presidência da Fifa, em 2016.

A suspensão de Platini foi confirmada pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) que a reduziu a quatro anos, depois pelo Tribunal Federal suíço e finalmente pela Corte europeia dos direitos humanos.

A Justiça suíça arquivou um outro processo por “gestão desleal” visando Blatter, aberto em 2015, sobre a atribuição de um contrato de direitos de difusão à União Caribenha de futebol (CFU). Mas um recurso foi depositado contra o arquivamento.

Blatter também já foi interrogado em julho e agosto por Hildbrand, por um voo em um jato privado realizado em 2007 por Jack Warner, pelo pagamento de US$ 350.000 feito pela Fifa e por um empréstimo de US$ 1 milhão sem garantia acordado à Federação de Trinidade e Tobago, presidida por Warner.

 

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