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“Me sinto reconhecido e valorizado”, diz tenista Bruno Soares, vice-campeão de Roland Garros

Áudio 07:02
O tenista brasileiro, Bruno Soares.
O tenista brasileiro, Bruno Soares. © Divulgação
Por: Elcio Ramalho
13 min

Muito orgulho e uma ponta de tristeza. Assim Bruno Soares descreveu o que sentiu após a derrota na final do torneio de duplas de Roland Garros, no sábado (10). O cobiçado troféu do saibro parisiense escapou das mãos por pouco, mas continua sendo um dos objetivos de sua bem-sucedida carreira. Aos 38 anos, o mineiro diz que seus resultados o motivam a seguir nas quadras e como parte do seleto grupo de brasileiros vencedores de Grand Slam, afirma se sentir reconhecido e valorizado pelo público.  

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“Estou feliz pela semana, orgulhoso do resultado. Final de Grand Slam não é toda hora. Realmente é muito bacana, mas obviamente fica uma pontinha, não de decepção, mas de tristeza de não ter conseguido dar o último passo. Essa decepção vem da proximidade do título”, confessou Bruno Soares ao comentar a derrota na sua primeira final do Grand Slam francês.

Ele e o parceiro croata Mate Pavic foram superados pelos alemães Kevin Krawietz e Andreas Mies, que venceram por 2 sets a 0 (parciais 6/3 e 7/5) e conquistaram o bicampeonato do torneio parisiense. “O balanço é muito positivo, tem que valorizar”, continua Bruno que, com o resultado, voltou ao Top 10 do ranking (6°). 

Apesar da atmosfera particular do saibro parisiense para os brasileiros, principalmente devido aos três títulos de Gustavo Kuerten, Bruno diz não diferenciar o torneio francês das outras grandes competições do circuito. 

“Os quatro Grand Slams são iguais, têm o mesmo peso, o mesmo valor e as mesmas tradições. Obviamente Roland Garros tem um carinho especial por causa do nosso fenômeno Guga. Não tem jeito, quando você chega aqui, sente isso por todo lado. Essa memória do Guga está muito viva aqui em Paris. Isso para nós é muito bacana, cria uma aura especial no torneio por causa dele. Mas, como tenista, o peso (de Roland Garros) é o mesmo. Claro que se você me pergunta o que eu quero ganhar, vou dizer Roland Garros e Wimbledon, que não ganhei ainda. Mas o que vier, vou ficar feliz, o peso é o mesmo”, garante.

Adaptado à pandemia

Desde a volta das competições no circuito, interrompidas por vários meses devido à pandemia, Bruno afirma que tem se adaptado às medidas sanitárias rigorosas impostas pelos organizadores dos torneios. “Como atletas, somos seres de adaptação. Rapidamente, a turma já entendeu que essa é a nova realidade. É triste, mas é o que a gente consegue. Há um esforço muito grande de todas as entidades para fazer os torneios acontecerem e fazer o circuito ficar de pé do jeito que dá”, comenta.

Bruno voltou a competir nas quadras em Cincinnati, no final de agosto, quando poucos sabiam ainda como funcionaria a rotina na chamada “bolha”, como ficou conhecido o ambiente restrito e isolado imposto aos competidores. Eles normalmente devem ficar 24 horas isolados em hotéis depois de fazer cada teste de Covid-19,  limitar os deslocamentos do alojamento para os locais de treinos e jogos. Oito semanas depois da retomada das competições, a adaptação tem sido rápida, porém ainda difícil.

“É duro, mas vamos nos acostumando. Tem sido um momento de superação diária. Pega a parte mental também, mas é um momento delicado e todo mundo entende essa situação gravíssima que o mundo está vivendo”, argumenta.

E nesse ambiente de pandemia, Bruno Soares ergueu seu segundo troféu de campeão de Grand Slam, do US Open, ao lado de Mate Pavic. O primeiro, foi com Jamie Murray, em 2016, ano em que a dupla também conquistou o Australian Open (2016). O mineiro soma ainda outros três títulos de Grand Slam nas duplas mistas: o US Open em 2012 (com Ekaterina Makarova) e o de 2014 (com Sania Mirza), e o Australian Open em 2016 (em parceria com Elena Vesnina). 

Reconhecimento

Essa trajetória o coloca no seleto grupo de brasileiros formado por Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten, Thomaz Koch e Marcelo Melo, que ergueram troféus de Grand Slam. No total, com 33 troféus conquistados no circuito profissional da ATP, Bruno diz ter consciência de sua importância para a história do tênis brasileiro. 

“Tenho que ter consciência de algumas coisas quando a gente fala de reconhecimento. Tenho um carinho enorme da torcida. Qualquer pessoa que gosta e é amante de tênis, conhece e acompanha o Bruno, tem a oportunidade de ver os  jogos. A grande maioria dos nossos jogos agora passa na TV, ou seja, houve um reconhecimento das emissoras de entender o nosso valor para o esporte brasileiro”, diz.

“Temos que entender que o Guga tem um peso bem maior que a gente. As coisas que ele atingiu têm um grau de dificuldade maior do que as coisas que atingimos. Isso não desmerece os nossos feitos. A gente sabe o tamanho dos nossos feitos. Quando falo nossos, me refiro ao Marcelo também, temos carreiras muito parecidas”, diz  em referência a Marcelo Melo, campeão também de dois Grand Slams, entre eles o de duplas em Roland Garros, em 2015. “Sabemos que estamos em um seleto grupo de ganhadores de Grand Slam, temos total consciência disso. Me sinto valorizado“, afirma.

Bruno Soares, que já ficou afastado dois anos das quadras por lesão e por isso sempre teve um plano “B” paralelo à carreira, diz que seus resultados têm sido a maior fonte de motivação para continuar jogando em alto nível sem perder de vista sua estratégia de final de carreira.   

“Minha carreira está acabando. Ainda não sei quando vai ser. Continuo motivado, jogando bem. Os resultados têm me mostrado que ainda estou jogando um tênis competente. Você ainda tem chances contra essa turma toda. Isso tem me motivado para seguir mais um, dois, três anos. O tempo vai dizer. Na minha idade, o planejamento tem que ser ano a ano”, conclui, sorrindo.

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