Décima contusão de Neymar desde sua chegada ao PSG fere imagem do jogador

A nova contusão de Neymar é tema de capa do jornal esportivo L'Équipe e do Le Parisien.
A nova contusão de Neymar é tema de capa do jornal esportivo L'Équipe e do Le Parisien. REUTERS - STEPHANE MAHE

A lesão no adutor esquerdo que tirou Neymar da partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Barcelona, na próxima terça-feira (16), e provavelmente do jogo de volta, em 10 de março, continua alimentando críticas ao atacante na imprensa francesa. 

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O jornal esportivo L'Équipe chama a atenção para a fragilidade de Neymar, um craque frequentemente impedido de jogar por lesões variadas. Com dez lesões acumuladas desde que foi transferido do Barcelona para o PSG, em agosto de 2017, Neymar figura entre as estrelas do futebol que passa mais tempo ausente do campo: 64 partidas ao todo, incluindo 34 dos 103 jogos do PSG agendados em quatro temporadas. 

O atacante teve duas fraturas no quinto metatarso do pé direito, em fevereiro de 2018 e janeiro de 2019. Acumulou, alternadamente, problemas nos adutores: em novembro de 2018, depois de um amistoso entre o Brasil e Camarões, e em outubro do ano passado, após uma vitória do PSG contra o Basaksehir (2-0). L'Équipe faz uma comparação com outros jogadores e encontra, frágil como Neymar, apenas o belga Eden Hazard (Real Madrid) e o francês Paul Pogba (Manchester United).

Na outra ponta do espectro, o polonês Robert Lewandowski (Bayern de Munique) e o egípcio Mohamed Salah (Liverpool) são jogadores que perderam pouquíssimos jogos com suas equipes. Já Cristiano Ronaldo e Lionel Messi estiveram ausentes o mesmo número de disputas: apenas 12, considerando todas as competições.

Conclusão: os craques português e argentino jogam muito mais do que Neymar, escreve o L'Équipe, principalmente na Liga dos Campeões. Com a ausência na terça-feira contra o Barça, será a oitava partida em que Neymar desfalcará o PSG na Champions. 

Maldição x disciplina 

O jornal Le Parisien evoca a suposta "maldição" que atingiria Neymar. "Mesmo tendo sofrido faltas no jogo contra o Caen, a contusão no adutor esquerdo de Neymar não é consequência de uma entrada do adversário Steeve Yago, três minutos mais cedo", declara o Le Parisien. 

O jornal entrevista o fisiologista desportivo Jean-Bernard Fabre e pede para ele analisar o novo ferimento do brasileiro, na sequência de uma gastroenterite e de seu aniversário. O especialista enumera algumas circunstâncias propícias: a baixa temperatura durante a partida, que favorece problemas musculares, falta de sono, provavelmente alguma bebida alcoólica no aniversário. Mas, no caso de Neymar, tem outra coisa que não combina com o estatuto de craque

"O que faz a diferença entre ele e os outros, como Messi e Cristiano Ronaldo, é que esses últimos nunca se machucam", observa Fabre. Ao comentar as qualidades de um atleta, o fisiologista diz: "Tem aqueles que progridem ano a ano, que são capazes e gerenciar seus esforços com inteligência e se preparar corretamente, tendo compreendido que o corpo é seu instrumento de trabalho", comenta o entrevistado. O problema de Neymar é sua falta de disciplina em relação a uma vida saudável, conclui o especialista. 

 

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