Superliga obtém primeira vitória judicial e racha no futebol europeu se acentua

Torcedores mostram cartazes contra a criação da Superliga Europeia, em frente ao estádio Stamford Bridge, do Chelsea,  clube da primeira divisão inglesa, em Londres, nesta terça-feira, 20 de abril de 2021.
Torcedores mostram cartazes contra a criação da Superliga Europeia, em frente ao estádio Stamford Bridge, do Chelsea, clube da primeira divisão inglesa, em Londres, nesta terça-feira, 20 de abril de 2021. Justin Tallis AFP

Um Tribunal de Madri concedeu nesta terça-feira (20) a primeira vitória judicial à polêmica Superliga. A decisão protege, por enquanto, a futura competição independente europeia de qualquer represália das instâncias do futebol, como a Uefa ou a Fifa que haviam ameaçado os clubes dissidentes de exclusão. Durante todo o dia, técnicos dos times envolvidos no lançamento do novo torneio criticaram ou preferiram não comentar o projeto.

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A decisão preventiva da justiça espanhola suspende qualquer retaliação contra os 12 clubes dissidentes e seus jogadores enquanto não houver um julgamento completo sobre a questão.

O Tribunal intima a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e a Federação Europeia de Futebol (Uefa) a se abster de qualquer medida contra os clubes “que impeçam ou dificultem, de forma direta ou indireta, a preparação da Superliga, particularmente, a exclusão dos clubes ou dos jogadores de qualquer competição, nacional ou internacional”.

Ameaça de exclusão

A Fifa e a Uefa ainda não se pronunciaram sobre a decisão judicial, mas na manhã desta terça-feira, o presidente da Federação Internacional havia reiterado suas as críticas e ameaças de exclusão. A declaração de Gianni Infantino foi feita na abertura do Congresso da Uefa na cidade suíça de Montreux, que reúne 55 federações nacionais. Apesar de no passado os presidentes das duas entidades terem entrado em conflito várias vezes, Infantino apoiou Aleksander Ceferin, chefão da Uefa.

A Fifa também se opõe ao lançamento da Superliga Europeia, que faria concorrência com a Liga dos Campeões da Europa. Infantino disse que os doze grandes clubes "terão de enfrentar as consequências" se persistirem em seu objetivo. Ele considera a nova competição, lançada na segunda-feira (19) "um clube fechado" e "dissidente das instituições existentes".

"Ou você está dentro ou está fora. Você não pode estar metade dentro e metade fora", disse, sem, no entanto, anunciar medidas concretas de retorsão.

Entre as retaliações possíveis, estaria a possibilidade de impedir que os jogadores destas equipes joguem com as suas seleções nacionais e sejam impedidos de participar, por exemplo, da Copa do Mundo. Uma dúvida que começava a circular colocava em risco as semifinais da Liga dos Campeões, marcada para a próxima semana.

Três das quatro equipes que disputam as semifinais, Real Madrid, Chelsea e Manchester City, fazem parte do grupo de dissidentes. O único semifinalista que não faz parte do novo projeto é o francês Paris Saint-Germain.

Choque

A Superliga Europeia, criada por seis clubes ingleses (Arsenal, Chelsea, Tottenham, Liverpool, Manchester City, Manchester United), três espanhóis (Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid) e três italianos (Juventus, Milan AC, Inter de Milão), provocou uma onda de choque no futebol europeu.

Antes do pronunciamento de Infantino, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, também havia criticado no Congresso da Uefa o projeto. "O modelo desportivo europeu é uma abordagem única (...) fundada na abertura de uma competição leal que prioriza o mérito desportivo. Esse modelo está agora ameaçado (...) face ao desafio de uma abordagem puramente orientada para o lucro ", lamentou Bach.

Superliga “não é esporte”

Apesar de seu time integrar esse torneio seleto, o técnico do Manchester City, Josep Guardiola, também criticou duramente a Superliga. Ele avaliou que uma competição em que a participação é garantida independentemente do mérito "não é esporte".

Segundo o projeto, na nova competição, 12 das 20 vagas, seriam reservadas todos os anos para as equipes fundadoras. Outras três equipes, a serem definidas, também teriam garantidas a sua presença anualmente, enquanto as restantes cinco vagas variariam e seriam atribuídas a cinco formações pelos seus méritos na temporada anterior, de acordo com os planos anunciados pelos promotores.

Já o técnico da Juventus, Andrea Pirlo, acha que a nova Superliga é um "projeto para o futuro". "Houve muitas mudanças ao longo desses anos, da 'Liga dos Campeões' à forma de jogar e às regras", lembrou Pirlo.

O treinador do Liverpool, o alemão Jürgen Klopp, também evitou criticar a iniciativa. "As pessoas não estão contentes e posso compreender, mas não tenho muito mais a dizer, porque não fomos consultados durante o processo, nem os jogadores nem eu", declarou Klopp. O francês Zidedine Zidane, treinador do Real Madrid, afirmou ter uma opinião sobre o assunto, mas preferiu não revelar publicamente. 

A nova competição, segundo seus promotores, vai gerar "recursos adicionais para toda a pirâmide do futebol".

(Com AFP)

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