Após debandada de clubes ingleses, saída do Atlético de Madrid e de italianos enterra Superliga

Um pedestre passa por uma faixa denunciando a "super ganância" do projeto de uma Superliga Europeia privada, em confronto direto com a Liga dos Campeões, em 20 de abril de 2021, em frente aos portões de uma entrada de Stamford Bridge estádio no Chelsea, antes do jogo da primeira divisão contra o Brighton.
Um pedestre passa por uma faixa denunciando a "super ganância" do projeto de uma Superliga Europeia privada, em confronto direto com a Liga dos Campeões, em 20 de abril de 2021, em frente aos portões de uma entrada de Stamford Bridge estádio no Chelsea, antes do jogo da primeira divisão contra o Brighton. Adrian DENNIS AFP

"Muito barulho por nada": o título da peça de William Shakespeare resume bem o estado atual da controvertida Superliga. Após a renúncia dos seis clubes ingleses à Superliga Europeia, o Atlético de Madrid também anunciou a sua retirada e as três equipes italianas (Juventus, Inter de Milão, AC Milan) admitiram o fracasso do projeto, nesta quarta-feira (21), colocando uma pá de cal no polêmico torneio, apenas dois dias após a sua criação por 12 clubes europeus.

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O Juventus e o AC Milan não renunciaram formalmente em suas declarações, mas usaram fórmulas nas quais claramente recuaram do projeto. Dos 12 clubes fundadores do anúncio-bomba que convulsionou o futebol europeu na segunda-feira, apenas os dois gigantes do futebol espanhol, Real Madrid e FC Barcelona, permaneceriam no bloco.

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, saudou nesta quarta-feira (21) a saída dos seis clubes ingleses que estavam entre os fundadores desta Superliga independente, prometendo "reconstruir a unidade" do futebol europeu e "avançar juntos". Ceferin, que na terça-feira havia deixado a porta aberta para dissidentes caso eles quisessem recuar, repetiu que é "admirável admitir um erro e essas equipes cometeram um grande erro".

Entre os times ingleses que abandonaram a ideia de participar deste torneio, que seria um rival da Liga dos Campeões, organizada pela Uefa, dois estão classificados para as semifinais da atual edição da competição continental, o Chelsea e o Manchester City, e corriam o risco de serem excluídos desse evento.

Os seis clubes ingleses inicialmente engajados nesta Superliga anunciaram na noite de terça-feira (20) sua retirada do projeto. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, saudou nesta quarta-feira a saída dos clubes ingleses, acreditando que foi o "resultado certo". 

Suspensão

Em nota, os criadores da Superliga reagiram a este Brexit dos clubes ingleses anunciando que iriam "reconsiderar os passos mais adequados para reformular o projeto", o que equivale a uma suspensão do mesmo.

Depois de ameaçar, na segunda-feira passada, perturbar a ordem estabelecida do futebol europeu, o polêmico projeto da Superliga se viu encurralado pela desistência de seus integrantes ingleses, a metade dos clubes fundadores, a ponto de temer novas deserções na quarta-feira e o fracasso total. Foi o caso. A derrota é significativa para o presidente da Superliga e do Real Madrid, Florentino Perez, assim como para o vice-presidente, Andrea Agnelli, presidente da Juventus de Turim, que lideraram a iniciativa desta liga privada.

Mal nascido, mal liderado, mal vendido, o projeto de uma competição semifechada com 20 equipes, com 15 lugares reservados (12 vagas para os fundadores e mais três vagas permanentes) , não verá a luz do dia. De qualquer jeito, não imediatamente, e não desta forma.

(Com AFP)

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