Japão anuncia que Jogos Olímpicos de Tóquio vão ocorrer sem público

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, durante coletiva em que anunciou o restabelecimento do estado de emergência sanitária no país.
O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, durante coletiva em que anunciou o restabelecimento do estado de emergência sanitária no país. Nicolas Datiche Pool/AFP

A Olimpíada de Tóquio não terá espectadores este ano devido ao ressurgimento de casos do coronavírus na capital japonesa. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (8) pela ministra encarregada da organização do evento, Tamayo Marukawa, poucas horas depois de o governo japonês restabelecer o estado de emergência sanitária em Tóquio até 22 de agosto. A competição esportiva acontece de 23 de julho a 8 de agosto. 

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A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o anúncio de que as provas acontecerão sem a presença de espectadores era esperado pela população e por especialistas do arquipélago, que vinham alertando o governo sobre o risco de aumento das contaminações. Diante da propagação da variante Delta na capital japonesa, uma cepa mais contagiosa, o primeiro-ministro Yoshihide Suga havia informado na manhã desta quinta-feira sua decisão de restabelecer o quarto estado de emergência no país, a fim de conter um novo surto epidêmico.

A presidente do Comitê Organizador, Seiko Hashimoto, lamentou que Tóquio 2020 já tenha sido adiada por um ano e agora ainda vá acontecer sem público. Ela se desculpou perante aqueles que já tinham comprado ingressos para as provas.

A maioria das instalações olímpicas está localizada na capital japonesa. As competições que ocorrem em três departamentos vizinhos (Chiba, Saitama e Kanagawa) também serão fechadas ao público, disseram os organizadores posteriormente. Eventos planejados em outras áreas, incluindo Fukushima e Miyagi (nordeste) ou Shizuoka (centro), aceitarão espectadores, mas de forma limitada.

Prioridade é evitar alta de casos

Por sua vez, o primeiro-ministro  considerou mais importante evitar uma alta dos casos. As autoridades sanitárias japonesas detectaram 896 novas infecções em 24 horas, um número próximo ao registrado em meados de maio.

“O número de novos casos continua a subir em Tóquio”, afirmou Yasutoshi Nishimura, ministro encarregado da gestão da pandemia no país. “Com o aumento dos deslocamentos das pessoas, a variante Delta, representa agora 30% dos casos e este número deve aumentar”, preveniu. 

Em março, os organizadores tomaram a decisão inédita de impedir a chegada de espectadores do exterior. Em junho, autorizaram a presença de espectadores locais, mas com 50% da capacidade do local e com um limite de 10.000 pessoas.

Recentemente, a possibilidade de as provas serem realizadas a portas fechadas passou a ser evocada, diante da piora da situação sanitária.

Nesta quarta-feira (7), as autoridades da capital japonesa comunicaram "o cancelamento" do revezamento da tocha olímpica nas vias públicas de Tóquio, dada a preocupação com o aumento de contágios por Covid-19. O revezamento da tocha olímpica terá início nesta sexta-feira (9), confirmou a prefeitura, mas, devido à pandemia, os trechos que deveriam ser realizados em vias públicas "foram cancelados". Apenas o trecho nas ilhas Ogasawara, um arquipélago remoto 1.000 km ao sul de Tóquio, seguirá conforme planejado.

Cobertura pela televisão

Cerimônias privadas serão realizadas para acender a tocha, em vez do revezamento habitual. Os eventos serão transmitidos ao vivo, e os telespectadores poderão assistir "no conforto de suas casas".

Cerca de 11.000 atletas são esperados nesses Jogos. Diferentes medidas rígidas foram impostas pelos organizadores para todos os participantes.

Com informações da AFP

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