Espanha/Terrorismo

Governo espanhol recebe com ceticismo anúncio de cessar-fogo do ETA

O ministro de Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba.
O ministro de Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba. Reuters

Nesta segunda-feira, o governo espanhol reagiu com prudência ao anúncio de cessar-fogo do grupo separatista basco ETA, feito no domingo, através de um vídeo. O governo afirmou que não pretende mudar sua política antiterrorista nem negociar com o grupo, considerando a trégua insuficiente para iniciar um diálogo.

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O ministro espanhol do Interior, Alfredo Perez, exigiu da organização o abandono completo e definitivo da violência, com a desarticulação total dos terroristas e a entrega das armas do grupo. A razão é clara:  tanto o poder quanto a oposição espanholas consideraram a trégua insuficiente para iniciar um diálogo com o ETA, que exige a independência do País Basco, na região no norte da Espanha.

Histórico sangrento

 

Depois de 51 anos de existência e 829 vítimas fatais, o grupo terrorista basco ETA afirma que o atentado mais recente do grupo, uma série de pequenas bombas que explodiram na ilha de Mallorca, no início de agosto, foi o seu último ataque terrorista. Por fim, o texto lido no vídeo diz que o grupo pretende iniciar um processo democrático para as negociações com o governo.

Mas, para os analistas políticos espanhóis, o cessar-fogo não se trata de vontade real do grupo de largar a atividade terrorista, e sim uma tentativa desesperada de conseguir representação nas próximas eleições espanholas de outubro. Isso porque, no ano passado, os partidos políticos supostamente vinculados ao ETA, a chamada esquerda abertzale, foram considerados ilegais pela Justiça espanhola.

O ministro de Interior da Espanha, Alfredo Pérez-Rubalcaba, passou o domingo analisando o vídeo a portas fechadas junto com investigadores policiais dedicados exclusivamente a combater o ETA. No início da noite, o Ministério concluiu que o cessar fogo não cumpre as exigências que o governo vinha fazendo nas últimas semanas e, por isso, não haverá chance de legalização dos partidos supostamente veiculados ao ETA, assim como qualquer tipo de diálogo com o grupo.
Um dos argumentos é o de que o grupo não deixou claro quanto tempo durará a trégua ou se ela é permanente. Além disso, não mencionou se vai abandonar as armas, o que era uma exigência do governo para qualquer possibilidade de diálogo com o grupo.

O anúncio do cessar-fogo do ETA é um dos principais assuntos na imprensa espanhola e até em redes sociais do país. Em comunicado oficial, o chefe do governo Luiz Rodriques Zapatero,  se disse “profundamente cético” com o anúncio.

As reações mais conciliatórias também não faltaram. O ministro do Trabalho espanhol, Celestino Corbacho, pediu prudência a todos. E a esquerda do País Basco afirmou acreditar que a proposta é um primeiro passo para uma trégua indefinida e um cenário de paz na região.

Este foi o terceiro anúncio de trégua anunciado pelo ETA ao longo de seus 51 anos de existência, mas o primeiro em que os terroristas falam em democracia e não determinam um período para o cessar-fogo.

 

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