Cúpula UE/Asean

Europeus pressionam governo chinês a valorizar moeda

Da esquerda para a direita: o presidente da União Europeia, Heman Van Rompuy, o premiê japonês, Naoto Kan, e o rei da Bélgica, Albert II, durante a cúpula dos países europeus e asiáticos em Bruxelas.
Da esquerda para a direita: o presidente da União Europeia, Heman Van Rompuy, o premiê japonês, Naoto Kan, e o rei da Bélgica, Albert II, durante a cúpula dos países europeus e asiáticos em Bruxelas. Reuters

Começou nesta segunda-feira em Bruxelas um encontro de dois dias entre países europeus e asiáticos. Representantes de 46 nações discutem questões como a atual crise diplomática entre Japão e China e a situação da ditadura militar em Mianmar. O tema do yuan, artificialmente desvalorizado pelo governo chinês, não faz parte da pauta oficial, mas deve ser um dos principais assuntos da cúpula.  

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No encontro, os líderes europeus vão tentar fazer pressão nos bastidores para que a China valorize sua moeda, o yuan. O assunto é tabu para o governo chinês e não está na agenda das discussões. A Europa se alia, assim, à política americana que acusa o governo de Pequim de manter artificialmente a moeda em um patamar mais baixo para facilitar as exportações dos produtos chineses, o que prejudica a concorrência comercial.

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, divulgada no domingo, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou que seu país não procura criar um "excedente comercial a qualquer preço". No sábado, em visita à Grécia, Jiabao mandou um recado para a Europa frear o que chamou de "protecionismo", por meio de medidas anti-dumping.

As discussões sobre a valorização da moeda chinesa podem ser ofuscadas pela crise diplomática entre Tóquio e Pequim por causa de uma área marítima disputada pelos dois países. O Japão até acenou com a possibilidade de um encontro bilateral entre o chefe de governo, Naoto Kan, e o premiê Jiabao. A China rompeu todo diálogo de alto nível com o governo do Japão, que segundo agências de notícias, pode comprar aviões espiões americanos e fazer manobras conjuntas com os Estados Unidos para proteger o arquipélago de possíveis ataques inimigos.

No projeto de comunicado final do oitavo encontro UE/Asean está previsto ainda um apelo para que a junta militar que comanda Mianmar liberte prisioneiros políticos e organize eleições livres. O país está representado na reunião pelo chanceler Nyan Win, o que deve provocar protestos de ongs de direitos humanos.

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