Europa/Asem

Europeus pressionam China para alterar taxa de câmbio

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, no 8° encontro da Asem, em Bruxelas.
O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, no 8° encontro da Asem, em Bruxelas.

Seguindo os passos dos Estados Unidos, os europeus pediram hoje à China para flexibilizar a taxa de câmbio de sua moeda, o yuan. Os europeus acusam o governo chinês de manter artificialmente baixo o valor do yuan para ajudar as exportações do país. A mesma reivindicação vem sendo feita pelos Estados Unidos, que também pressionam pela valorização do yuan.

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Após encontro, nesta terça-feira, com o primeiro-ministro chinês, Wen Jibao, o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Junker, estimou que a taxa de câmbio real da moeda chinesa continua subvalorizada.

"A apreciação do yuan em relação ao euro, organizada de maneira gradual, será bem-vinda” afirmou Junker, durante entrevista coletiva, ao lado do presidente do Banco Central europeu, Jean-Claude Trichet, e do comissário europeu para Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

Os líderes se reúniram com o premiê chinês em um encontro paralelo à 8º Cúpula Asia-Europea (Asem), que termina hoje em Bruxelas. Junker reconheceu, entretanto, que as autoridades chinesas não dividem o mesmo ponto de vista que os líderes europeus.

A mesma reivindicação já vem sendo feita pelos Etados Unidos, que consideram que a forte apreciação da moeda chinesa em relação ao dólar funciona como uma espécie de "subsídio" que favorece as exportações chinesas e desequilibra a concorrência mundial.

Crise diplomática

Os principais temas da cúpula da Asem foram ofuscados pela crise diplomática entre Japão e China. Ontem à noite, após o jantar oficial, houve um encontro entre Wen Jiabao e o primeiro ministro japonês, Naoto Kan. Os dois países concordaram em retomar as relações diplomáticas, estremecidas após a recente crise envolvendo um navio pesqueiro chinês e a marinha japonesa.

Durante o encontro bilateral, o líder chinês, Wen Jiabao, e o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, sinalizaram interesse em manter diálogo sobre a disputa territorial de cinco ilhas no Mar da China Oriental.

Além da economia mundial, os dirigentes discutem hoje a reforma do Fundo Monetário Internacional. De acordo com a revisão das cotas no Conselho de Administração do FMI, os europeus estariam dispostos a ceder duas das nove cadeiras que ocupam para as economias emergentes.

A agenda dos chefes de estado e de governo europeus inclui, ainda, debates sobre clima, direitos humanos, luta contra o terrorismo, a situação no Irã, Afeganistão, Coreia do Norte, Birmânia e o processo de paz no Médio Oriente. Estão reunidos na cúpula da Asem, 46 países representando 60% da população e comércio do planeta.

A cúpula ocorre a cada dois anos e tem a participação dos 27 países da União Européia, dos 10 integrantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), além da China, Japão, Coréia do Sul, Índia, Paquistão e Mongólia. Na edição deste ano, os novos sócios do grupo são Austrália, Nova Zelândia e Rússia.

 

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