Meio Ambiente

Hungria nacionaliza empresa responsável pelo vazamento de lama

Vista aérea da usina da empresa MAL (Magyar Alumínium), responsável pelo vazamento tóxico.
Vista aérea da usina da empresa MAL (Magyar Alumínium), responsável pelo vazamento tóxico. Reuters

Depois do desastre ecológico com a lama vermelha, o Estado húngaro resolveu assumir o controle da empresa MAL (Magyar Alumínium), culpada pelo vazamento tóxico que causou oito mortes no oeste do país."A empresa responsável pela catástrofe deve ser posta sob o controle do Estado", disse o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, em discurso no Parlamento. Para o premiê, a "negligência humana" é uma das razões para o acidente. Ambientalistas afirmam que a empresa havia estocado uma quantidade excessiva de resíduo nos diques da empresa.

Publicidade

Diante da gravidade do acidente do último dia 4 de outubro, a decisão de nacionalizar a usina de alumínio foi tomada rapidamente. O Parlamento votou pela estatização com uma maioria confortável: por 336 votos a favor, 1 contra e 13 abstenções e a lei, adotada pelo presidente Pàl Schmitt, foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial húngaro.

Ao assumir o controle, o Estado da Hungria vai iniciar uma auditoria nas contas da empresa que será obrigada a pagar uma multa de 73 milhões de euros. Por um período de dois anos, a MAL será dirigida por György Bakondi, chefe nacional dos serviços de luta contra catástrofes. Além de supervisionar a gestão da empresa, o governo também terá a missão de prevenir novos acidentes, investigar as causas do vazamento e preservar os empregos dos funcionários da usina que permanece fechada.

Outra empreitada do governo é construção de estruturas de reforço do dique. O novo muro terá largura de 25 metros e cinco de altura. Ao todo, serão utilizadas 40 mil toneladas de rochas com o objetivo de evitar um novo vazamento de barro vermelho.

Segundo as autoridades húngaras, o estado das águas dos rios infectados pelo vazamento, como o Raba e o Mosoni Duna, não mostra alteração em relação aos índices registrados antes da catástrofe. Mas, de acordo com o Greenpeace, a despoluição das áreas atingidas pela lama tóxica, especialmente as zonas agrícolas, pode levar no mínimo um ano.

A União Europeia também participa do esforço. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, visita nesta terça-feira o oeste da Hungria e tem encontros com as autoridades húngaras. Ainda nesta terça-feira, chegaram à Hungria especialistas europeus que analisarão a situação nas regiões afetadas e que apresentarão um relatório sobre suas recomendações até o final desta semana.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.