Cúpula de Deauville

Rússia poderá participar do escudo antimísseis no leste da Europa

A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy (centro), e o presidente russo Dmitri Medvedev, em Deauville.
A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy (centro), e o presidente russo Dmitri Medvedev, em Deauville. REUTERS/Philippe Wojazer

O presidente russo, Dmitri Medvedev, vai participar da próxima reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Moscou poderá colaborar com o projeto de escudo antimísseis que a OTAN vai instalar em países do leste da Europa. 

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As relações entre a Rússia e a OTAN estiveram no centro dos debates de um encontro que reuniu em Deauville, na Normandia, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Dmitri Medvedev. Ao final do encontro, o chefe do Kremlim anunciou que vai participar da cúpula da OTAN marcada para os dias 19 e 20 de novembro, em Lisboa. Medvedev deixou transparecer que a Rússia, até agora contrária à construção do projeto americano de escudo antimísseis na Europa, poderá participar do projeto.

Considerado durante muito tempo como uma agressão aos interesses de Moscou, o escudo antimísseis americano e europeu poderá selar uma nova fase de cooperação entre a Rússia e os aliados ocidentais. A Aliança Atlântica, criada justamente para barrar a expansão da antiga União Soviética no leste europeu, não vê mais no Kremlim um inimigo em potencial. Muito pelo contrário. Vinte anos após o fim da Guerra Fria e a queda do muro de Berlim, os europeus querem aprofundar os laços com a Rússia, que se tornou um parceiro incontornável nas áreas de energia e defesa. 

Em Deauville, os líderes europeus se esforçaram para convencer Medvedev sobre a utilidade do projeto e da participação russa. Sarkozy confirmou o interesse da França no sistema em estudo, destinado a contrabalançar as ameaças de países como o Irã e a Coreia do Norte, que nos últimos anos desenvolveram mísseis de alcance intercontinental e buscam a fabricação da bomba atômica.

O chefe do Kremlim disse que a cúpula da OTAN será útil para esclarecer pontos do projeto ainda obscuros. Medvedev estima que cabe à aliança explicar de que maneira a Rússia poderia integrar o sistema. Só depois o governo russo tomará uma decisão. Sarkozy e Merkel frisaram que o novo conceito estratégico da OTAN, que será votado na cúpula de novembro, não visa a Rússia. "Nosso encontro com o presidente russo tem o objetivo de reforçar a relação de confiança", disse Merkel. "A Guerra Fria e o Pacto de Varsóvia terminaram, os russos são nossos amigos", acrescentou Sarkozy. 

 

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