Espanha

Zapatero faz reforma ministerial para reconquistar apoio popular

O primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero anunciou a reforma ministerial durante coletiva de imprensa, em Madri.
O primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero anunciou a reforma ministerial durante coletiva de imprensa, em Madri. Reuters

O chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou nesta quarta-feira uma verdadeira dança das cadeiras na sua equipe ministerial. Seis ministros trocarão de pasta, e quatro deixarão o governo, em um movimento que está sendo interpretado como uma tentativa de Zapatero de reconquistar o apoio popular antes do fim de sua legislatura, no fim de 2011.

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A reforma ministerial foi anunciada poucos dias após o governo espanhol conseguir aprovar o orçamento de 2011. Com as mudanças, o novo homem forte do governo será o ministro de Interior, Alfredo Pérez-Rubalcaba, responsável por assuntos como o combate ao grupo terrorista basco ETA. Ele vira vice-presidente, substituindo a María Teresa Fernández de La Veja, que deixa o governo.

Outra substituição importante é a do ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, que ficou conhecido como o ministro da crise, por assumir a pasta no momento em que a Espanha registrou recordes de desemprego. Ele já havia anunciado sua saída para concorrer ao governo da Catalunha. Será substituído por Valeriano Gomes, economista com boas relações com os sindicatos e que se declarou contra a reforma trabalhista de Zapatero que gerou protestos e uma greve geral no país depois de aprovada.

Além de Gomes, entra na equipe de Zapatero Leire Pajin, que hoje é secretária do PSOE, partido de Zapatero, e vira ministra de Saúde. Tida como a faceta jovem dos socialistas, ela substituirá a Trinidad Jiménez, que foi candidata derrotada de Zapatero nas primárias para o governo de Madri.

Jiménez sai da Saúde para assumir o Ministério das Relações Exteriores É nesta pasta que está uma das baixas mais importantes do governo, a do atual chanceler Miguel Angel Moratinos. Moratinos conquistou protagonismo no governo ao assumir as funções da presidência espanhola da União Europeia, no primeiro semestre deste ano, além de liderar todos os temas diplomáticos do país. Entre os poucos que continuam no mesmo posto, está a ministra de Defesa, Carmen Chacón, apontada como a próxima candidata do PSOE ao governo da Espanha.

Para cortar gastos, os ministérios de Habitação e de Igualdade deixarão de existir.
Por causa da crise de popularidade, algumas mudanças já eram esperadas, mas a intensa remodelação anunciada por Zapatero surpreendeu até a oposição. Em entrevista coletiva, Zapatero disse que se trata de um plano para dar mais impulso e energia na etapa final de seu governo.
 

Luísa Belchior, correspondente da RFI em Madri

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