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Europa/Direitos Humanos

Parlamento concede prêmio Sakharov de direitos humanos a dissidente cubano

O dissidente cubano Guillermo Fariñas ao receber a notícia de sua premiação, em Santa Clara, Cuba.
O dissidente cubano Guillermo Fariñas ao receber a notícia de sua premiação, em Santa Clara, Cuba. Reuters
Texto por: RFI
5 min

O parlamento europeu anunciou nesta quinta-feira a escolha do jornalista Guillermo Fariñas como vencedor do prêmio Sakharov de direitos humanos. Foi a terceira vez em 9 anos que o parlamento europeu concede o prestigioso prêmio a um dissidente cubano que milita contra o regime castrista. 

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Durante o anúncio, em Estrasburgo, o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, declarou que os eurodeputados decidiram atribuir o prêmio em nome da liberdade de expressão a Guillermo Fariñas.

O dissidente, de 48 anos, fez 23 greves de fome em protesto contra o regime cubano. Fariñas, jornalista "com vocação de mártir", dirige a agência clandestina de notícias Cubanacan Press, que difunde informações pela internet, e também é militante do movimento clandestino " Aliança pela democrática cubana".

A escolha foi feita pelos líderes dos partidos no parlamento e entre os finalistas estavam também a opositora etíope Birtukan Mideksa e a Ong isralense "Breaking the Silence" (Quebrando o Silêncio, em tradução livre), porta-voz de ex- soldados do Tsahal, o exército israelense.

Segundo fontes parlamentares, a decisão final foi unânime em conceder a homenagem ao dissidente cubano.

Dissidente cubano Guillermo Fariñas ganha prêmio Sakharov

“Com esse prêmio, me sinto mais comprometido com a causa da democracia no meu país”, disse Fariñas. “Isso me serve de incentivo para continuar até conseguir uma democracia representativa no meu país”, completou.

O dissidente também prometeu continuar com sua batalha “até as últimas consequências” e disse que o parlamento europeu enviou uma mensagem não apenas para o governo cubano mas a todos os defensores das liberdades individuais no mundo.

Terceira vez 

O parlamento já havia concedido o prêmio Sakharov em 2002 ao opositor do regime castrista Oswaldo Paya Sardiñas, e três anos mais tarde ao grupo “Mulheres de Branco”, que reúne esposas e familiares de dissidentes presos.

O anúncio da homenagem é feito no momento em que Cuba espera uma postura mais flexível dos europeus com o país. No próximo dia 27, em Luxemburgo, os chanceleres dos 27 países do bloco participam de uma reunião onde as discussões das relações da União Europeia com o governo de Havana estarão em pauta.  

Eles decidirão se mantém ou não a chamada “Posição Comum”, resolução adotada em 1996 e que condiciona avanços nas relações entre europeus e o regime comunista ao maior respeito pelos direitos humanos e progressos para a democracia no país.

O primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero, que retomou relações com Cuba em 2007, defende uma maior distensão na relação com o regime comunista e o abandono da “Posição Comum”. Já países como França e Alemanha rejeitam qualquer mudança na postura firme adotada em relação à Havana.

O prêmio Sakharov será concedido oficialmente no dia 15 de dezembro. Entre os vencedores das edições anteriores estão o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a dissidente birmanesa Aung San Suu Kyi e o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan.

 

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