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Após bombas, Grécia suspende envio de correio para o exterior

Polícia grega escolta um dos suspeitos detido em Atenas no dia 2 de novembro.
Polícia grega escolta um dos suspeitos detido em Atenas no dia 2 de novembro. Stringer / Reuters

As autoridades gregas suspenderam, por 48 horas, o envio de encomendas e cargas em aviões para o exterior do país, após a onda de pacotes-bomba endereçados a embaixadas e líderes políticos europeus.

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No total, 12 pacotes suspeitos enviados da Grécia foram descobertos, quase simultaneamente, na terça-feira em países europeus, em embaixadas em Atenas e no aeroporto da capital grega.

Uma carta suspeita endereçada ao primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi interceptada a bordo de um avião privado de transporte postal que aterrissou em Bolonha, no norte da Itália, na noite de ontem. O pacote chegou a pegar fogo, mas não fez feridos. O aeroporto de Bolonha ficou fechado algumas horas, mas voltou a reabrir esta madrugada.

A polícia grega também informou ter destruído, na noite de terça-feira, no aeroporto de Atenas, dois pacotes suspeitos endereçados à Europol e à Corte Europeia de Justiça. Durante o dia, uma carta bomba endereçada à chanceler alemã Ângela Merkel foi interceptada e desativada na sede do governo alemão, em Berlim. Dois pacotes chegaram a explodir na terça-feira, nas embaixadas da Suíça e da Rússia, em Atenas, sem fazer vítimas.

A onda de pacotes suspeitos na Grécia começou na segunda-feira, quando 4 artefatos foram descobertos. Um deles era endereçado ao presidente francês Nicolas Sarkozy. As autoridades gregas descartam, por enquanto, a participação de redes terroristas como a Al Qaeda. A polícia acredita que um grupo anarquista seja o responsável pelos envios, mas as investigações ainda não foram concluídas.

Na última segunda-feira, dois suspeitos, que pertencem a grupos de extrema-esquerda, foram detidos. Esses incidentes acontecem em um clima social tenso na Grécia, a poucos dias das eleições municipais consideradas um teste para o governo socialista, que impôs um programa de austeridade para acabar com a enorme dívida do país e reduzir o déficit no orçamento.

Os pacotes suspeitos também contribuem para aumentar o clima de apreensão na Europa, após as recentes ameaças feitas pela rede terrorista Al Qaeda. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem que a ameaça terrorista na França é "extremamente séria" e convocou para hoje uma reunião extraordinária com os responsáveis pela segurança no país.
 

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