Itália

Governo Berlusconi enfrenta crise com ameaça de saída de ministros

O premiê italiano, Silvio Berlusconi (à direita), tenta limitar a crise política aberta pelo ex-aliado Gianfranco Fini (à esquerda).
O premiê italiano, Silvio Berlusconi (à direita), tenta limitar a crise política aberta pelo ex-aliado Gianfranco Fini (à esquerda). Reuters

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, terá provavelmente de fazer uma reforma ministerial a partir da semana que vem. Seu ex-aliado e agora adversário político Gianfranco Fini, presidente da Câmara, anunciou que vai retirar da coalizão de governo quatro ministros e secretários de Estado na próxima segunda-feira.

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Lisa Maria Silva, correspondente da RFI em Roma

A crescente tensão nos meios políticos italianos e a sensação de uma crise de governo cada vez mais próxima marcam a atmosfera do debate aberto entre líderes dos partidos da coalizão e da oposição. Gianfranco Fini, presidente da Câmara e dirigente da recém-fundada formação política de direita “Futuro e Liberdade para a Itália”, promete anunciar oficialmente que vai abandonar o governo na próxima segunda-feira.

Fini pressiona o premiê Silvio Belusconi para que declare oficialmente a crise política, mas o primeiro-ministro descarta essa condição para garantir a sua imunidade parlamentar face aos processos em andamento no Tribunal de Milão por corrupção e fuga de capitais. O abandono de Fini e de seus aliados, segundo os observadores políticos, vai enfraquecer ainda mais o governo Berlusconi, já alvo de duras críticas por sua negligência e lentidão ao enfrentar graves problemas econômicos e sociais do país.

A tempestade política tende a se acentuar com duas moções que serão apresentadas na Câmara e no Senado na próxima semana. A da Câmara se baseia no voto de descrédito para o governo de Berlusconi, enquanto que a moção do Senado visa reforçar o apoio dos parlamentares ao primeiro-ministro.

O atual governo ainda deve aprovar o pacote econômico para 2011, que prevê grandes cortes nas despesas para a instrução e a saúde públicas como também a manutenção do patrimônio histórico e cultural italiano.

O quadro político se torna ainda mais difícil para Berlusconi com o aumento do desemprego, a forte desaceleração da economia, a fuga de empresas para o exterior, a redução de investimentos no mercado italiano e os desastres ecológicos que atingem as áreas centro e sul do país. Tudo isso sem contar os últimos escândalos sexuais do primeiro-ministro envolvendo jovens menores de idade.

Berlusconi deverá acertar as contas com uma crise que nega, mas que seus colaboradores consideram real e atual.

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