Reino Unido

Governo britânico vai pagar indenizações a ex-detentos

Os ex-prisioneiros, a maioria detentos de Guantánamo, acusam o governo britânico de cumplicidade em atos de tortura.
Os ex-prisioneiros, a maioria detentos de Guantánamo, acusam o governo britânico de cumplicidade em atos de tortura. AFP/Shane T. McCoy

O governo britânico anunciou nesta terça-feira detalhes de um acordo acertado com um grupo de ex-detentos de Guantánamo que estavam procesando Reino Unido por cumplicidade em atos de tortura. Os detentos vão receber indenizações do governo britânico que podem ultrapassar 1 milhão de dólares.

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Cerca de dez homens, com nacionalidade britânica ou residentes do Reino Unidos, serão beneficiados. Todos entraram com ação contra o governo britânico junto à Suprema Corte.

De acordo com a rede de TV ITN, os ex detentos denunciaram torturas com a cumplicidade dos serviços secretos britânicos, o MI5. Segundo especulações da imprensa, um dos antigos detentos deverá receber quase 1,6 bilhao de dólares em indenizações.

O acordo foi fechado após semanas de negociações entre os advogados representantes dos detentos e as autoridades britânicas. Em fevereiro, após uma longa batalha judicial, a justiça publicou informações secretas provando que o etíope Binyam Mohamed, detido em Guantanamo durante mais de quatro anos, foi vítima de tratamento “cruel, desumano e degradante” durante interrogatórios feitos por agentes norte-americanos.

Em julho, a Suprema Corte Britânica ordenou a publicação de milhares de documentos secretos sobre o caso de vários antigos prisioneiros. Para evitar o risco de que o conteúdo dos documentos fosse revelado, o governo preferiu pagar as indenizacos, segundo o jornal Guardian.

O gabinete do primeiro-ministro David Cameron informou que o governo deve se manifestar sobre o assunto ainda nesta terça-feira.
 

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