Irlanda deve aprovar projeto de austeridade para ter ajuda

Protesto dos irlandeses contra o plano de austeridade que o governo deve implantar em meio a uma crise interna.
Protesto dos irlandeses contra o plano de austeridade que o governo deve implantar em meio a uma crise interna. Reuters

O governo irlandês deve apresentar um projeto de austeridade com duros cortes no orçamento para garantir o empréstimo que deve ajudar o país a superar sua grave crise financeira. Apesar dos sinais do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia de que estão prontos para socorrer a Irlanda, a situação no país ainda preocupa investidores e países europeus.

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O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, chegou a afirmar nesta terça-feira que o futuro do euro, a moeda única europeia, depende de uma solução para a crise financeira irlandesa. Em Bruxelas, a Comissão Europeia pediu urgência na aprovação de um plano de austeridade para sanear as contas do país.

A expectativa é que Dublin apresente nesta quarta-feira um projeto de orçamento draconiano para o período 2011-2014, com o objetivo de reduzir o déficit no orçamento de 32% do Produto Interno Bruto para 3%, que é o teto estipulado pelo pacto europeu de estabilidade.

Para isso, o projeto de austeridade prevê uma série de medidas impopulares, como a redução do salário mínimo e de prestações sociais, supressão de postos de trabalho no funcionalismo público e aumento de impostos. O objetivo do governo é economizar, já em 2011, 6 bilhões de euros, e 15 bilhões em 2014.

Com a credibilidade em baixa, o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, tentava, nesta terça-feira, costurar um acordo com a oposição, que chegou a pedir a dissolução do parlamento e a realização de eleições antecipadas no país.

No último domingo, o FMI e a União Europeia aprovaram uma ajuda de cerca de 90 bilhões de euros para a Irlanda, mas condicionaram o repasse do montante à aprovação do plano de austeridade do governo irlandês. A Irlanda vai se tornar, assim,o segundo país europeu a receber ajuda financeira depois da Grécia.

Nesta terça-feira, a chanceler alemã Angela Merkel estimou que a situação do euro é "excepcionalmente grave". A crise irlandesa e o risco de contágio a outros países fragilizados da zona, como Espanha e Portugal, pesam sobre a moeda única europeia.

 

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