Portugal/Crise

Portugal quer evitar recorrer à ajuda financeira

O presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva.
O presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva. Reuters

Depois que a Irlanda pediu oficialmente ajuda financeira para salvar seus bancos em dificuldades e evitar contágios em outros países para manter a estabilidade na zona euro, a atenção agora está voltada para Portugal. Mas o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, já tinha reafirmado no domingo, antes mesmo de saber do pedido irlandês, que espera não precisar recorrer à ajuda externa.

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De Adriana Niemeyer, correspondente da RFI, em Lisboa,

Cavaco Silva afirmou ter explicado ao presidente norte-americano Barack Obama, que esteve em Lisboa para a Cúpula da Otan, que a situação local é bem diferente da Grécia e da Irlanda. “Portugal não tem nenhuma crise no sistema bancário, não teve nenhuma bolha imobiliária e o nível de endividamento público está na média da União Europeia”, explicou o presidente.

O primeiro-ministro José Sócrates, também insistiu nas diferenças entre os três países e afirmou que espera que "os mercados se acalmem e parem com esta especulação sem sentido".  "Ouvi muita conversa sobre o Fundo Monetário Internacional… O país não precisa de nenhuma ajuda, o que precisa é fazer o que é necessário, ou seja, que aprove o Orçamento para o próximo ano que será votado no parlamento na próxima sexta-feira”, disse Sócrates criticando as correntes nacionais que insistem na tese de que é inevitável a entrada do FMI em Portugal. “Essas correntes confundem os seus desejos com a realidade”, sublinhou.

Déficit

O premiê fez referência às medidas de austeridade do Orçamento para 2011, medidas, que segundo ele, serão muito difíceis para a população. “ Os portugueses sabem que o Governo está disposto a fazer tudo aquilo que deve para proteger o país”, salientou. O objetivo do governo português é reduzir o déficit público para 4,6% do PIB no final de 2011, contra os 7,3% esperados para este ano.

Porém as centrais sindicais convocaram uma greve geral contra as medidas do governo para a próxima quarta-feira. A primeira que acontece após 22 anos e, ao que tudo indica, terá uma grande adesão e irá paralisar o país

 

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