Portugal/Greve

Greve em Portugal contra medidas do governo tem adesão acima de 80%

A greve geral desta quarta-feira praticamente paralisou o país em vários setores com a adesão em torno dos 80% dos trabalhadores filiados aos sindicatos. Em alguns casos, como nos aeroportos, a paralisação chegou a 100%, com todos os voos cancelados.  

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Com colaboração de Adriana Niemeyer, correspondente da RFI, em Lisboa,

A Confederação Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) mostraram-se surpreendidas com a elevada adesão à greve geral conjunta contra as medidas de austeridade, anunciadas pelo governo em setembro. Entre as medidas estão os cortes de salários para o funcionalismo público, o congelamento das pensões e aposentadorias em 2011, além do aumento em dois pontos percentuais do imposto sobre mercadorias. O projeto de orçamento do governo, que será apresentado ao parlamento nesta sexta-feira, tem como objetivo reduzir o déficit público de 7,3% do PIB em 2010 para 4,6% no ano que vem. 

Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais sindicais. A primeira foi realizada há 22 anos contra o pacote laboral elaborado pelo governo de Cavaco Silva.  O secretário-geral da UGT, João Proença, considerou esta greve como a maior já realizada no país, superando a de 1988..

A mobilização atingiu também o setor da educação, com muitas escolas fechadas e o da saúde, com perturbações em vários hospitais que mantiveram apenas o atendimento médico de emergência.  Bombeiros, funcionários de bancos e até artistas aderiram ao movimento. 

"Na maioria dos casos, a mobilização foi até mais forte do que em greves setorais, e não atingiu apenas o setor público, mas também o privado”, disse Proença em entrevista coletiva.

A ministra do trabalho, Helena André, salientou hoje que a margem de manobra é muito pequena para Portugal, que está na mira do mercado como próximo país a pedir ajuda externa após a Grécia e Irlanda.

Greve europeia

Trabalhadores de vários países europeus farão uma manifestação no dia 15 de dezembro para protestar contra os planos de austeridade que estão sendo adotados na União Europeia, informou nesta quarta-feira a Confederação europeia dos sindicatos.

"Escolhemos o dia 15 de dezembro porque é a véspera do Conselho de chefes de estado e de governo europeus", uma cúpula prevista para os dias 16 e 17 de dezembro, declarou Joël Decaillon, secretário-geral adjunto da Confederação.

A programação ainda não está definida mas deve incluir greves, interrupções de trabalho e diversas manifestações em países como Espanha, Grécia, França, Dinamarca e República Tcheca.

"Tentaremos também fazer um abraço simbólico com um cinturão humano em torno do Berlaymont, o prédio da Comissão Europeia em Bruxelas, "para mostrar que não podemos aceitar os planos de austeridade e suas terríveis consequências", disse Decaillon.

 

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