Irlanda/Pacotão

Irlanda anuncia oficialmente plano de austeridade

"Fora FMI", diz pichação em muro de Dublin em protesto contra o pedido de ajuda ao Fundo Monetário Internacional.
"Fora FMI", diz pichação em muro de Dublin em protesto contra o pedido de ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Reuters/Cathal McNaughton

O governo da Irlanda anunciou oficialmente seu plano de austeridade que prevê cortes de 15 bilhões de euros nos orçamentos dos próximos quatro anos, 40% desse montante já em 2011. Os planos de austeridade que vêm sendo adotados em vários países europeus provocaram um dia agitado na zona do euro e reações em defesa da moeda única europeia.

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O plano de austeridade divulgado hoje pelo país prevê um corte nas despesas sociais de 2,8 bilhões de euros até 2014. Além disso, quase 25 mil postos de trabalho do setor público serão suprimidos e o salário mínimo deve ser reduzido.

O pagamento mínimo de uma hora de trabalho, que era de 8,65 euros, diminui em um euro, para 7,65. O governo irlandês estima que as medidas ajudarão o país a ter um crescimento médio de 2,75% entre 2011 e 2014.

"Temos que dividir este fardo para poder colher os benefícios no futuro", diz o texto escrito pelo governo da Irlanda, claramente um aviso à população. O plano de austeridade foi uma condição para que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional liberassem um empréstimo de cerca de 85 bilhões de euros.

O pacote de ajuda, porém, não afastou o medo de um contágio em economias mais frágeis, como Portugal onde as medidas do governo levaram os sindicatos a organizar, com sucesso e forte adesão uma greve geral que praticamente paralisou o país.

Na França, o primeiro-ministro, François Fillon, fez um discurso no parlamento defendendo medidas para reduzir as dívidas e o déficit público francês.

Diante das preocupações dos mercados financeiros e das dúvida sobre o futuro da zona euro, o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, disse hoje em reunião no Parlamento Europeu que não subestima a crise.

"Eu asseguro a vocês que eu não subestimo de maneira alguma a crise. A situação é grave. Eu sou um homem muito prudente e estimo que estão sendo feitas declarações inflamadas demais no contexto europeu", declarou o presidente.

"A hora é de se acalmar. A gente já conhece a gravidade da crise e precisa agora passar à ação. Quando eu entrei nesta função, não havia mecanismos de previsão de crise, o que poderia ter evitado vários problemas. A gente precisou mudar isso. Agora, vamos reforçar o pacto de estabilidade e de crescimento e introduzir pela primeira vez um sistema macroeconômico de controle e vigilância", acrescentou Van Rompuy.

Críticas

A Comissão Europeia reagiu às declarações alarmistas da Alemanha sobre a crise irlandesa e garantiu que o euro é uma moeda sólida e que seu futuro não está em jogo. Durante a apresentação do orçamento alemão para 2011, a chanceler Angela Merkel lembrou que seu país é o único da Europa a ter voltado a crescer de maneira consistente depois da crise mundial.

Com as críticas alemãs sobre a situação do bloco, o comissário de Relações Econômicas, Olli Rehn, afirmou que a questão não é a sobrevivência do euro e sim o problema do setor bancário da Irlanda.

 

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